BRASIL – Revolta dos Malês: a mais importante rebelião urbana de escravizados do Brasil completa 190 anos e ainda ecoa na sociedade

No dia 24 de janeiro de 1835, a cidade de Salvador (BA) foi palco de um dos eventos mais marcantes da história brasileira: a Revolta dos Malês. Neste dia, trabalhadores africanos escravizados se rebelaram contra a opressão colonial, enfrentando civis e soldados por mais de três horas. Esse episódio ficou conhecido como a mais importante rebelião urbana de escravizados no Brasil.

Passados 190 anos, a Revolta dos Malês ainda é lembrada e estudada em diversas formas, seja em livros, estudos acadêmicos, blocos de carnaval, filmes ou exposições de arte. Estima-se que cerca de 600 africanos tenham participado do movimento, o que, proporcionalmente, equivaleria a 12 mil pessoas na população atual de Salvador.

Os confrontos resultaram em mortes e punições severas para os rebelados, incluindo penas de morte, prisão, açoites e deportações. O historiador João José dos Reis descreve a Revolta dos Malês como o levante de escravos urbanos mais sério ocorrido nas Américas, pela magnitude de sua organização e planejamento.

De acordo com os registros históricos, em 1835, Salvador possuía uma população majoritariamente escrava, representando 42% do total. Os africanos muçulmanos, chamados de malês, foram os principais articuladores da revolta. O plano dos rebeldes era estender a insurreição até os engenhos, o epicentro da escravidão na Bahia.

A repercussão da Revolta dos Malês se estende até os dias atuais, presente em diversas manifestações culturais. Blocos de carnaval, como o Malê Debalê, filmes, como “Malês”, e exposições de arte, como “Eco Malês”, resgatam a memória deste episódio marcante da história brasileira. A resistência dos rebeldes malês contra a opressão colonial permanece viva na cultura e na memória do povo baiano.