
BRASIL – Repressão e violência na Cracolândia: a dispersão das pessoas não resolve o problema, alerta antropóloga da USP
De acordo com informações divulgadas pela prefeitura de São Paulo, houve uma redução significativa no fluxo de pessoas na Rua dos Protestantes, na região conhecida como Cracolândia. Entre janeiro e dezembro de 2024, a média de pessoas nesse local diminuiu em 73,14%.
Durante esse período, as ações na região resultaram em 18.714 encaminhamentos para serviços e equipamentos municipais. Além disso, 679 pessoas conquistaram autonomia financeira, 308 conseguiram autonomia de moradia e 261 reconstruíram vínculos familiares, de acordo com a prefeitura. O Programa Operação Trabalho Redenção registrou a participação de 1.802 pessoas.
A especialista Amanda Amparo concorda que a quantidade de pessoas na região diminuiu, porém ressalta que muitas pessoas saem durante o dia e retornam à noite, continuando a fazer uso de substâncias em outros espaços públicos da cidade.
Além disso, a antropóloga destaca que as operações policiais na região aumentaram, resultando em mais prisões e apreensões. A situação na Cracolândia tem sido alvo de críticas, especialmente em relação às ações de limpeza realizadas diariamente pela prefeitura, que são vistas como humilhantes e violentas.
Outras vias da cidade, como a avenida Duque de Caxias e a Rua Helvétia, também têm registrado concentração de pessoas que fazem uso abusivo de drogas. Segundo Amanda Amparo, a dispersão causada pelas ações de repressão na região tem dificultado o cuidado das pessoas em situação de vulnerabilidade.
Diante desse cenário, a prefeitura de São Paulo foi contatada para se manifestar sobre o tema, mas até o momento não houve resposta. O debate sobre as políticas públicas na região da Cracolândia continua em aberto, com a sociedade civil e especialistas buscando soluções para lidar com essa complexa realidade.


