BRASIL – Meta anuncia fim da checagem de fatos nas redes sociais Facebook e Instagram, gerando polêmica e críticas de entidades de comunicação.

Recentemente, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) emitiu uma nota expressando seu repúdio às mudanças nas regras das redes sociais Facebook e Instagram. Uma das principais alterações anunciadas foi o fim do programa de checagem de fatos, decisão comunicada por Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, em um pronunciamento em vídeo.

Criado em 1991, o FNDC é uma entidade que reúne organizações da sociedade civil brasileira comprometidas com a democratização da comunicação. Segundo a nota divulgada, as medidas adotadas pela Meta representam um ataque direto à proteção dos direitos individuais e coletivos no ambiente digital, promovendo desinformação e ampliando a margem para discursos de ódio.

Ao anunciar a decisão, Zuckerberg fez menção a Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos, que assume o cargo em janeiro. O presidente da Meta afirmou que a eleição de Trump foi um ponto de inflexão e adotou argumentos defendidos por ele e outros líderes de extrema-direita, que consideram a checagem de fatos como censura. Zuckerberg declarou a intenção de voltar às “raízes de livre expressão” no Facebook e Instagram.

A checagem de fatos tem como propósito identificar erros, imprecisões e mentiras nas postagens. Com a mudança anunciada pela Meta, não haverá mais verificação de informações veiculadas pelos usuários. Em vez disso, será adotado um modelo de notas da comunidade, semelhante ao da plataforma X, controlada por Elon Musk, permitindo aos usuários contestarem a veracidade do conteúdo.

A decisão da Meta foi duramente criticada pelo FNDC, que considerou a postura uma ameaça à democracia, à liberdade de expressão responsável e ao tecido social. A entidade enfatizou a importância da regulação das big techs para garantir um ambiente online mais justo, seguro e respeitoso, livre de desinformação e ódio.

As mudanças na política das redes sociais também provocaram reações no governo federal brasileiro e na Comissão Europeia, que expressaram preocupações similares em relação à garantia de informações seguras e verificadas. O Ministério Público Federal notificou a Meta para esclarecer as mudanças e seu impacto nos direitos dos usuários brasileiros.

Essa controvérsia em torno da liberdade de expressão e da regulação de conteúdo online continua ecoando em diversas esferas, evidenciando um embate entre proteção dos direitos individuais e coletivos e a disseminação de discursos nocivos e desinformativos. A discussão sobre o papel das plataformas digitais na sociedade contemporânea está longe de chegar a um consenso, e as repercussõe dessas mudanças certamente continuarão sendo debatidas nos próximos dias.