BRASIL – Desastres climáticos no Brasil aumentam 250% em 4 anos, revela estudo da Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica em parceria com a Unifesp e Unesco.

Os desastres climáticos no Brasil vêm se intensificando de forma alarmante nos últimos anos, conforme revela um estudo realizado pela Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica. Coordenado pelo Programa Maré de Ciência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), juntamente com a Fundação Grupo Boticário.

De acordo com o estudo, o Brasil registrou um aumento de 250% nos desastres climáticos nos últimos quatro anos, em comparação com a década de 1990. As informações foram extraídas do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID) do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, e também analisaram dados de temperatura média do ar e da superfície oceânica dos últimos 32 anos.

Os pesquisadores destacam que a cada aumento de 0,1°C na temperatura média global do ar, foram registrados mais 360 desastres climáticos no Brasil. Já no oceano, para cada aumento de 0,1°C na temperatura média global da superfície oceânica, foram registrados mais 584 eventos extremos no país.

É importante ressaltar que os danos causados por esses desastres vêm gerando graves consequências econômicas e sociais. Entre 1995 e 2023, os prejuízos econômicos no Brasil atingiram a cifra de R$ 547,2 bilhões. Nos primeiros quatro anos da década de 2020, as perdas somaram R$ 188,7 bilhões, representando 80% do total registrado na década anterior (2010–2019).

As projeções indicam que, se as metas do Acordo de Paris não forem cumpridas, o Brasil poderá registrar um aumento significativo nos desastres climáticos nas próximas décadas. No cenário mais pessimista, se o aquecimento global ultrapassar 4°C, o número de ocorrências pode chegar a quase 600 mil até 2100, resultando em custos que ultrapassariam os R$ 8,2 trilhões.

Diante desse cenário preocupante, os pesquisadores alertam para a importância de ações imediatas. Reduzir as emissões de gases de efeito estufa e buscar a resiliência das comunidades são medidas essenciais para enfrentar os impactos da crise climática. Soluções baseadas na natureza, como a recuperação de manguezais e dunas, são apontadas como eficazes para promover a adaptação e resiliência das cidades costeiras.

Portanto, é urgente que sejam adotadas medidas concretas para mitigar os efeitos dos desastres climáticos no Brasil, visando a construção de um futuro mais sustentável e seguro para todos. Ações coordenadas e eficientes são fundamentais para preservar a natureza, a humanidade e garantir a qualidade de vida das futuras gerações.