
BRASIL – Violência política nas eleições municipais atinge números recordes em 2024, aponta pesquisa divulgada nesta segunda-feira.
A análise das entidades apontou que a impunidade tem contribuído para o aumento desses casos de violência política. Segundo Gisele Barbieri, coordenadora de Incidência Política da Terra de Direitos, as respostas do estado têm sido insuficientes, o que acaba normalizando esse tipo de violência e tornando os episódios cada vez mais frequentes.
Os dados históricos das eleições municipais mostram um crescimento preocupante nesse cenário. Em 2016, foram registrados 46 casos de violência política, número que subiu para 214 em 2020 e alcançou 558 casos em 2024. Esse aumento representa um crescimento de aproximadamente 2,6 vezes em relação a 2020 e de 12 vezes se comparado a 2016.
A diretora adjunta da Justiça Global, Daniele Duarte, destacou que a violência durante os pleitos municipais está relacionada principalmente às disputas territoriais nos municípios. Ela ressaltou que as eleições municipais têm sido mais violentas, principalmente contra mulheres candidatas e pré-candidatas.
Mulheres, sejam cisgênero ou transexuais, foram alvo de 274 casos de violência política, representando 38,4% do total de casos registrados. A violência virtual também teve um papel significativo, com cerca de 40% das ocorrências direcionadas às mulheres, sendo que 73,5% das ofensas ocorreram em ambientes parlamentares ou de campanha.
A falta de regulação da internet foi apontada como um fator que contribui para o aumento da violência política. Mais de 70% das ameaças registradas em 2023 e 2024 foram feitas por meio de redes sociais, e-mail e plataformas digitais, segundo Gisele Barbieri da Terra de Direitos. A falta de uma legislação eficiente nesse sentido facilita que os agressores se escondam e dificulta as investigações.
Diante desse cenário alarmante, as pesquisadoras enfatizaram a necessidade de ações do poder público, como programas de combate à violência política, aperfeiçoamento de leis e segurança ampliada para equipes e mandatos coletivos. Medidas como campanhas contra discursos de ódio e racismo, apoio às vítimas e canais estruturados para denúncia são essenciais para frear o avanço da violência e fortalecer a democracia no país.


