BRASIL – Influenciadores lucrando com misoginia: pesquisadores da UFRJ revelam estratégias de monetização no YouTube.

Influenciadores digitais estão lucrando com discursos misóginos, revela pesquisa

Um estudo realizado pelo grupo de pesquisadores do Observatório da Indústria da Desinformação e Violência de Gênero nas Plataformas Digitais, do NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apontou que o discurso misógino se tornou um negócio lucrativo para alguns influenciadores digitais. Ao analisarem milhares de vídeos com conteúdos misóginos publicados no Youtube, os pesquisadores identificaram que as chamadas redes masculinistas não apenas estimulam e normalizam a violência de gênero, mas também lucram com a disseminação do ódio às mulheres.

O estudo utilizou recursos computacionais para analisar 76,3 mil vídeos, que somam quase 4 bilhões de visualizações e 23 milhões de comentários. Foram selecionados 137 canais do Youtube com conteúdo explicitamente misógino para investigar as estratégias de discurso e monetização utilizadas por esses influenciadores. Os resultados foram compilados no relatório intitulado “Aprenda a evitar ‘este tipo’ de mulher: estratégias discursivas e monetização da misoginia no YouTube”.

Segundo Luciane Belin, uma das coordenadoras da pesquisa, a definição do que é misoginia é um dos grandes desafios, pois engloba não apenas o ódio manifesto contra as mulheres, mas também qualquer forma de desprezo, aversão e tentativa de controle por meio da subjugação e justificação da violência. O relatório revelou que os influenciadores misóginos no Youtube fazem generalizações a partir de determinados perfis de mulheres, atacando-as com discursos que muitas vezes são disfarçados de “desenvolvimento pessoal masculino”.

Os pesquisadores se depararam com vídeos que, sob pretexto de ensinar técnicas de sedução, propagam manipulação e violência psicológica, além de incentivar o uso de aplicativos de espionagem para monitorar mulheres. Além disso, constataram que aproximadamente 80% dos canais analisados recebem dinheiro do Youtube por meio da veiculação de anúncios, e 28% utilizam plataformas de financiamento coletivo para monetização.

Diante desses resultados, a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, reforçou a urgência da regulamentação das redes sociais para combater a disseminação de discursos de ódio. A pesquisa evidencia a necessidade de conscientização da sociedade e de criação de conteúdos alternativos que promovam a igualdade de gênero. O diálogo e a pressão sobre as plataformas digitais são essenciais para combater a monetização do discurso misógino e garantir um ambiente online mais saudável para todos.