
BRASIL – Depressão atinge quase o dobro de mães cientistas em relação aos pais, aponta pesquisa da UFF
A pesquisadora responsável pelo estudo, Sarah Rocha Alves, apontou que esse quadro de adoecimento está diretamente ligado à sobrecarga de trabalho doméstico e de cuidado enfrentada pelas mães. A pesquisa revelou que as mães que assumem a criação dos filhos de forma mais solitária apresentam maior probabilidade de ter sintomas de depressão. Além disso, as mães de crianças com deficiência e as mães negras também foram identificadas como grupos mais vulneráveis a essa condição.
Os dados coletados foram analisados por meio de questionários utilizados para diagnosticar sintomas de depressão, sendo realizados entre março e junho de 2022, em um momento de transição na pandemia da covid-19 no Brasil. Segundo Sarah, a pandemia agravou uma situação que já era problemática para as mães cientistas, que precisam conciliar o trabalho acadêmico, as responsabilidades domésticas e os cuidados com os filhos.
Além dos impactos na saúde mental, a pesquisadora também destacou as consequências dessa sobrecarga na carreira das cientistas. Ela ressaltou a existência de um “teto de vidro” que impede a ascensão profissional das mulheres na academia, especialmente após a maternidade. Para mitigar esse cenário, Sarah defende a implementação de políticas de apoio que facilitem a conciliação entre a vida acadêmica e familiar, citando iniciativas da Universidade Federal Fluminense e editais específicos para cientistas mães.
Em um contexto marcado pela desigualdade de gênero e pelo desafio de conciliar a vida profissional e pessoal, a pesquisa destaca a importância de repensar a estrutura e a cultura acadêmica para garantir um ambiente mais inclusivo e equitativo para as cientistas mães. A luta por políticas de apoio e reconhecimento do trabalho realizado por essas mulheres é fundamental para promover a igualdade de oportunidades e o bem-estar de toda a comunidade acadêmica.


