BRASIL – Trump ameaça taxar importações do Brics em 100% para manter hegemonia do dólar, afirmam especialistas consultados pela Agência Brasil.

No cenário internacional, a ameaça do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma taxa de 100% sobre as importações dos países do Brics que optarem por substituir o dólar em transações comerciais está gerando debates e análises sobre a hegemonia da moeda americana no mercado global.

Especialistas em relações internacionais concordam que a manutenção do domínio do dólar é uma estratégia fundamental para os EUA manterem seu poder no mundo. O professor Gilberto Maringoni, da UFABC, destaca que a perda dessa ferramenta implica em uma diminuição do poder dos EUA sobre o comércio mundial, afetando aspectos militares, financeiros e políticos.

Por outro lado, Ronaldo Carmona, do Cebri, ressalta que a dependência do dólar pode ser uma vulnerabilidade para os países envolvidos, uma vez que a moeda americana tem sido utilizada como uma arma geopolítica em diversas situações.

A recente declaração de Trump nas redes sociais, exigindo que os países do Brics não criem uma nova moeda para substituir o dólar ou enfrentem tarifas pesadas, reflete a preocupação do presidente eleito com a posição do dólar como moeda de referência nas transações internacionais.

No entanto, os especialistas apontam que a estratégia de taxar os produtos dos países que desafiam a política americana pode ter limitações e gerar impactos negativos para a economia dos EUA. Empresas americanas que dependem de importações de países do Brics podem sofrer com o aumento de custos, o que pode resultar em inflação interna.

No contexto do Brasil, a substituição do dólar tem sido defendida por figuras políticas importantes, como o ex-presidente Lula e a ex-presidenta Dilma Rousseff. Ambos acreditam que a criação de uma moeda para transações comerciais entre os países do Brics poderia fortalecer a economia e reduzir vulnerabilidades.

Em suma, a disputa em torno da hegemonia do dólar e a busca por alternativas para as transações comerciais internacionais estão no centro das discussões entre os países do Brics e os Estados Unidos, evidenciando a complexidade das relações geopolíticas e econômicas no cenário global.