
BRASIL – Julgamento na Inglaterra sobre responsabilidade da BHP no desastre de Mariana entra em segundo dia com argumentações das vítimas.
No primeiro dia de audiência, o escritório de advocacia Pgust Goodhead (PG), que representa milhares de pessoas, empresas e municípios atingidos pelo desastre, afirmou que as decisões na Samarco só poderiam ser tomadas com o acordo conjunto dos acionistas da BHP e da Vale. Segundo a defesa das vítimas, o Conselho de Administração da Samarco era composto majoritariamente por representantes das duas mineradoras, sem nenhum membro independente na diretoria executiva.
Além disso, o escritório PG alegou que a BHP tinha conhecimento dos riscos operacionais relacionados ao excesso de despejo de resíduos na barragem de Mariana, mas permitiu que essa prática continuasse, negligenciando a segurança e o bem-estar das comunidades afetadas.
Nos próximos dias de audiência, os advogados da BHP terão a oportunidade de apresentar a defesa contra as acusações das vítimas. A empresa alega que a Samarco sempre operou de forma independente, apesar da parceria com a Vale, e que refuta as alegações de falta de controle sobre as atividades da mineradora.
A previsão é de que o julgamento se estenda até março de 2025, envolvendo a participação de especialistas em direito ambiental, societário e civil brasileiros para embasar a decisão da justiça britânica, que se baseará na legislação do Brasil. Ainda serão ouvidos especialistas em geotecnia para explicar os processos que levaram ao rompimento da barragem.
Esta etapa do julgamento foca apenas na responsabilidade da BHP no desastre, sendo necessário um novo julgamento para determinar os valores das indenizações que a empresa deverá pagar às vítimas e comunidades afetadas. A população aguarda ansiosa por justiça e reparação diante da negligência que resultou em uma das maiores tragédias ambientais da história do Brasil.









