
População abre caminho para volta de “enviado” dos Brandão
A disputa pela cadeira do Executivo em Mata Grande continua a gerar novos episódios. Dessa vez, um grupo de manifestantes protestou em frente ao Palácio do Governo em Maceió e do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) pedindo um novo afastamento do prefeito Erivaldo Mandú.
Segurando faixas e cartazes, os moradores matagrandenses acusaram Erivaldo de perseguidor e propineiro cobrando uma atitude da justiça alagoana. Em um vídeo enviado ao Jornal A Notícia, o grupo cantou em um só coro: “queremos justiça, Mata Grande está de luto”.
O que muita gente não sabe é que essas pessoas, no entanto, são acusadas de receber recursos do ex-presidente da Câmara de Vereadores do município, Júlio Brandão, e do ex-prefeito Jacob Brandão, conhecidos como “irmãos metralha”.
Quando estavam no poder, os políticos tinham a ajuda de alguns servidores para facilitar o desvio de verbas. Ambos são acusados de participarem de um esquema de corrupção que teria desviado cerca de R$ 12 milhões dos cofres públicos.
Na foto tirada na quinta-feira (17) é possível identificar, segundo denúncia, o rosto de algumas pessoas que estão envolvidas no esquema.
A primeira delas seria Mércia, secretária de Franklin. Também estava presente Jadielson Batista, que foi diretor Adjunto da Escola Ananete por oito anos, durante o mandato de Jacob. Além disso, é acusado por fontes de praticar crimes de pedofilia e manter uma rádio pirata no município.Outro homem conhecido como “Dadái” também estava no protesto. Ele é filho de Cristina Brandão, encarregada de liberar o combustível em Mata Grande.
Se junta ao elenco, a senhora Angélica de Clara, contratada durante oito anos no governo de Jacob, como também outra mulher conhecida como Luciana de Zé do Somado. Ela é técnica de enfermagem e irmã de Lúcia, que é diretora da Escola Ananete.
No grupo ainda é possível notar a presença de um homem que faz tudo a mando dos irmãos Brandão, esse seria Ranieri. Próximo a ele está um rapaz identificado como Márcio, acusado de utilizar três linhas de transporte escolar fantasma na gestão de Fanklin Lou (Parente também de Zé Somado).
O último participante seria o marido de uma moradora conhecida como Branca, o homem já teria praticado diversos tipos de crimes como: estelionato mediante a clonagem de cartões de crédito, roubo de sacos de feijão para vender no restaurante da esposa, e por fim, acusado de matar o primo para manter a segurança do dinheiro adquirido.
Todos os integrantes que querem a saída de Mandú, supostamente já preveem a volta de Franklin para gozar dos benefícios por ele, antes concedidos. Uma das provas disso, é que esses moradores já chegaram a realizar um protesto no próprio município no final de abril.
Na oportunidade, a mobilização que ocorreu em frente à prefeitura, não chamou a atenção para a causa. Os populares pediram inclusive o retorno de Lou ao cargo, porém a justiça determinou a volta de Mandú.
Uma das indignações, segundo eles, seria a exoneração de vários aliados do vice-prefeito e dos Brandão, que estavam recebendo da Prefeitura de Mata Grande. Entre os indignados estariam uma ex-secretária da Educação, do ex-prefeito do município, Hélio Brandão; um repórter e um locutor de eventos, todos ligado à famosa família.
Do outro lado, parte da população viu o protesto como “aliados dos irmãos Metralha, Jacob e Júlio Brandão, tentando tumultuar a gestão do atual prefeito”.
Guerra nas redes sociais
Em uma conta de Instagram criada pelo mesmo grupo, uma foto de Franklin Lou ,(filho do ex-prefeito Fernando Lou), foi publicada em uma suposta reunião com representantes da política local. A publicação conta com um texto que revela uma acordo feito “por debaixo dos panos”.
Os irmãos Brandão teriam combinado que se Franklin aceitasse voltar a gerir a cidade, ele teria que ajudar os aliados com os custos dos advogados, e mais um adicional mensal de R$ 300 mil para a família. Na conta da mesma rede social, intitulada Mata Grande Acordou, um post reitera o caso e acusa o ex-vereador Júlio Brandão de atacar Erivaldo Mandú.
“José Júlio Brandão já arrumou uma ocupação para passar o tempo em cativeiro. O play boy do sertão andou criando um perfil falso para atacar Mandú. Qual era o interesse do irmão metralha, em querer tanto que o vice Franklin Lou volte ao comando da prefeitura?”, publicou lembrando que Lou repassou a mesma quantia para a família, durante três meses.
Em abril, parte da população chegou a usar também as redes sociais para reclamar de supostos problemas na cidade, a exemplo da suspensão de aulas no município.
Erivaldo Mandú chegou a ser preso após o Ministério Público descobrir um vídeo que mostrava o homem pagando R$ 7 mil a quatro vereadores em troca da aprovação de Projetos de Lei, o que fez o Procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar, pedir sua prisão. No entanto, em janeiro de 2018, ele foi solto com a condição de uso da tornozeleira eletrônica e afastamento do cargo.
O Pleno do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) aceitou a denúncia contra o prefeito, mas revogou o afastamento cautelar do cargo, sem divulgar as justificativas da decisão. Não satisfeito, o MP quer recorrer a decisão do TJ. Segundo o órgão, os vereadores acusados não foram realocados para os cargos, dando a entender que o mesmo teria que ser feito com o prefeito.


