BRASIL – Construção de estação de metrô ameaça sítio arqueológico histórico no Bixiga, em São Paulo, e gera polêmica com moradores.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) se posicionou firmemente contra a destruição das estruturas pertencentes ao sítio arqueológico encontrado durante as obras de construção da estação 14 Bis – Saracura, que faz parte da linha laranja do Metrô de São Paulo, localizada no bairro do Bixiga. A repercussão desse caso foi comunicada aos moradores em uma reunião realizada no Museu Memória do Bixiga (Mumbi), promovida pelo coletivo Mobiliza Saracura Vai-Vai na noite de segunda-feira (30).

A empresa contratada pela concessionária Linha Uni, a Lasca Arqueologia, apresentou um parecer confirmando a descoberta de vestígios de uma ocupação datada da primeira metade do século 20. Nessa região, conhecida como “Pequena África” ou “Quadrilátero Negro” no passado, residiam descendentes de quilombos e escravizados. O quilombo em questão foi batizado como Saracura, e em 1930 foi lá que uma das mais tradicionais escolas de samba de São Paulo, a Vai-Vai, foi fundada. No entanto, em 2021, a sede histórica da escola foi demolida para dar espaço à construção da estação de metrô. A concessionária deixou claro que não tinha interesse em preservar os elementos históricos do local.

Em uma entrevista à Agência Brasil, o assessor jurídico do Mobiliza Saracura Vai-Vai, Rafael Funari, relatou que em uma reunião com o secretário-executivo da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), André Isper Barnabé, foi garantida a preservação da estrutura histórica por parte do governo estadual. No entanto, a decisão final estava nas mãos do Iphan, o que levou os moradores a dependerem da aprovação do órgão para resolver a questão.

Funari destacou a importância de preservar as mais de 30 mil peças arqueológicas e os alicerces do local, enfatizando a necessidade de incorporar essas estruturas à estação, seguindo o exemplo de estações históricas em cidades europeias que preservaram ruínas arqueológicas em seus projetos.

Desde o início das denúncias feitas pelo movimento em 2022, o Ministério Público Federal vem acompanhando o caso e está ciente das dificuldades enfrentadas pelo coletivo em obter informações detalhadas sobre o projeto e a obra em andamento. A transparência e o acesso à informação são fundamentais para que a comunidade local e as autoridades possam tomar decisões embasadas e em benefício de todos os envolvidos.

A preservação do sítio arqueológico não significa que os moradores são contra a construção da estação de metrô. Eles defendem a preservação da memória histórica da região, que tem grande importância cultural e social. A luta pelo respeito à diversidade e à história das comunidades negras é fundamental para o reconhecimento e valorização da herança cultural do Brasil.

A concessão de permissões para destruir patrimônio histórico em prol do desenvolvimento urbano é uma questão delicada que requer um equilíbrio entre interesses públicos e privados. A mobilização da sociedade civil e o acompanhamento de órgãos fiscalizadores são essenciais para garantir a preservação do nosso patrimônio cultural e histórico.

A Agência Brasil tentou entrar em contato com as partes envolvidas, como a concessionária Linha Uni e a SPI, para obter seus posicionamentos sobre o assunto, mas até o momento não obteve retorno. A transparência e o diálogo são fundamentais para a resolução de conflitos como o que envolve a preservação do sítio arqueológico Saracura em São Paulo.