BRASIL – Aumento de internações por lesões autoprovocadas alerta para a importância de atenção e cuidado de profissionais de saúde.

Em 2023, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou um total de 11.502 internações relacionadas a lesões autoprovocadas, indicando um aumento de mais de 25% em relação aos números de 2014. Com uma média diária de 31 casos, esses dados foram divulgados pela Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede) nesta quarta-feira. A entidade destacou a importância dos médicos de emergência no atendimento desses casos delicados, ressaltando a necessidade de capacitação e acolhimento adequado para pacientes em situações de vulnerabilidade emocional.

A análise regional das internações revelou variações significativas entre os estados brasileiros, com alguns apresentando aumentos alarmantes, como Alagoas, Paraíba e Rio de Janeiro. Por outro lado, estados como São Paulo e Minas Gerais registraram números absolutos elevados, mas com aumentos percentuais menores. Em contrapartida, houve reduções expressivas no número de internações em alguns estados, como Amapá, Tocantins e Acre.

O perfil dos pacientes internados por lesões autoprovocadas mostra uma diferença significativa entre os sexos, com um aumento nas internações de mulheres e uma queda nos casos envolvendo homens. Além disso, o aumento das internações entre jovens adultos e adolescentes foi destacado, ressaltando a vulnerabilidade desses grupos. A Abramede ressaltou a importância de uma abordagem técnica e humanizada no atendimento desses casos, visando oferecer suporte integrado e prevenir novos episódios.

O mês de setembro é marcado pela campanha do Setembro Amarelo, que busca combater o estigma em torno da saúde mental e do suicídio. No Brasil, o suicídio é considerado um problema de saúde pública, com cerca de 14 mil casos registrados anualmente. A OMS destaca a necessidade de reduzir o estigma e encorajar o diálogo aberto sobre o tema, visando prevenir novas ocorrências.

Globalmente, mais de 700 mil pessoas tiram suas próprias vidas a cada ano, sendo o suicídio a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. A OMS alerta para as consequências sociais, emocionais e econômicas provocadas pelo suicídio, destacando a importância de romper com o silêncio e o estigma, e promover a compreensão e o apoio. Reduzir a taxa global de suicídio é uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, visando abordar os complexos desafios que levam as pessoas a tirarem suas próprias vidas.