BRASIL – Gaema investiga Usina São José por morte de toneladas de peixes no Rio Piracicaba: multa chega a R$ 18 milhões.

O Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema) do Ministério Público está investigando a Usina São José S/A Açúcar e Álcool em relação aos danos ambientais que resultaram na morte de toneladas de peixes no Rio Piracicaba e na Área de Proteção Ambiental Tanquã. Os promotores Ivan Carneiro e Alexandra Facciolli Martins estão conduzindo o inquérito para apurar a extensão dos danos aos ecossistemas aquáticos da região e quais medidas serão necessárias para reparar o dano.

A Usina São José foi identificada como a fonte poluidora responsável pela morte de pelo menos 3 toneladas de peixes no Rio Piracicaba. A Cetesb aplicou uma multa de R$ 18 milhões à usina devido ao derramamento de resíduos da cana-de-açúcar com alta carga orgânica, causando a redução do nível de oxigenação da água a zero e inviabilizando a vida aquática. Este incidente resultou na morte de 235 mil peixes tanto na região urbana de Piracicaba quanto na Área de Proteção Ambiental Tanquã.

Após a conclusão das análises laboratoriais, a Cetesb determinou medidas corretivas e uma série de exigências técnicas para a Usina São José, além da multa aplicada. Uma operação chamada Pindi-Pirá foi iniciada para remover os peixes mortos no Tanquã, envolvendo uma força-tarefa coordenada pela Polícia Militar Ambiental e outras entidades.

Em uma coletiva de imprensa realizada pela prefeitura de Piracicaba, Cetesb e Polícia Ambiental, foram anunciadas medidas adicionais para fiscalização e monitoramento contínuo do rio, visando garantir a qualidade da água e identificar possíveis ocorrências semelhantes no futuro. A prefeitura também mencionou a criação do “Pelotão do Rio” para vigilância permanente do manancial, juntamente com a Marinha e a Guarda Civil Municipal.

A Usina São José declarou que está colaborando com as autoridades e está avaliando o relatório da Cetesb para tomar as medidas necessárias. A empresa destacou que suas atividades estiveram interrompidas entre 2020 e maio de 2024 e questionou alguns pontos do relatório, alegando não ter evidências que demonstrem a relação entre suas operações e a mortandade de peixes. A empresa também mencionou a existência de outras fontes poluidoras na região que não foram consideradas no relatório final.