
BRASIL – Agência de notícias argentina Télam é transformada em agência de publicidade estatal em meio a críticas e protestos.
A mudança não passou despercebida pela imprensa argentina e por críticos da medida, incluindo a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro. Para ela, a transformação da agência em uma agência de publicidade é mais um ataque à comunicação pública no país vizinho. A Fenaj tem divulgado notas criticando o desmonte da comunicação pública na Argentina nos últimos meses.
O Decreto nº 548/2024, assinado pelo presidente Milei e pelo chefe de gabinete do governo, Guillermo Francos, justifica a mudança como parte de uma profunda reorganização das empresas públicas. O governo argumenta que a alteração visa aumentar a eficiência e a eficácia das atividades da Télam, concentrando seus recursos na área de publicidade e propaganda.
A Télam, que contava com mais de 700 funcionários e correspondentes em todas as províncias argentinas, produzia diariamente centenas de matérias, fotografias, vídeos e tinha presença ativa nas redes sociais. A transformação da agência de notícias em uma agência de publicidade tem sido criticada por especialistas em jornalismo, que destacam a importância da Télam na produção de material jornalístico de qualidade.
A medida do governo argentino também levanta preocupações sobre a dependência da imprensa regional em relação às agências de notícias estrangeiras. O fechamento da agência mexicana Notimex em 2023 e a transformação da Télam deixam a América Latina sem importantes fontes de jornalismo independente, aumentando a influência de agências estrangeiras no cenário informativo regional.









