BRASIL – Lideranças comunitárias na Baixada Santista: mulheres negras, sem renda pessoal, enfrentam desafios no fortalecimento comunitário pós pandemia.

Um estudo realizado pelo Instituto Elos revelou que as lideranças comunitárias nos municípios da Baixada Santista, em São Paulo, são majoritariamente mulheres autodeclaradas negras, representando 70% do total. Além disso, a pesquisa apontou que 96% dessas mulheres não possuem renda pessoal, evidenciando um cenário de desigualdade social e econômica.

De acordo com o levantamento, 62% das lideranças atuam há mais de vinte anos nesse papel, demonstrando engajamento e dedicação prolongados em suas comunidades. A faixa etária predominante entre elas é acima de 50 anos, o que indica uma longa trajetória de trabalho comunitário.

Os desafios enfrentados por essas lideranças incluem a falta de acesso a recursos financeiros para manter suas associações, a desmobilização e a escassez de políticas públicas efetivas. A pesquisadora Natasha Gabriel destacou a dificuldade de manutenção desse trabalho, especialmente em meio à pandemia e ao agravamento da vulnerabilidade social, enfatizando a importância do cuidado coletivo promovido por essas mulheres.

No entanto, apesar dos desafios, apenas 35% das lideranças participam de conselhos ou diálogos com o setor público, o que evidencia a necessidade de maior engajamento e representatividade dessas mulheres em instâncias de decisão. A falta de reconhecimento e remuneração pelo trabalho social desempenhado por elas foi apontada como uma questão central, levantando a reflexão sobre a valorização das atividades comunitárias realizadas por mulheres negras.

Natasha ressaltou a importância da educação não sexista como base para a transformação social, enfatizando a necessidade de valorização da diversidade, solidariedade, empatia e cooperação. Ela questionou por que a sociedade não reconhece o trabalho dessas lideranças como digno de remuneração, considerando sua relevância para a transformação socioambiental.

Diante desse cenário, é fundamental repensar as estruturas sociais e garantir que o trabalho realizado por essas mulheres seja devidamente reconhecido e recompensado, promovendo assim uma maior equidade e justiça social em suas comunidades e na sociedade como um todo.