
BRASIL – Lideranças comunitárias na Baixada Santista: mulheres negras, sem renda pessoal, enfrentam desafios no fortalecimento comunitário pós pandemia.
De acordo com o levantamento, 62% das lideranças atuam há mais de vinte anos nesse papel, demonstrando engajamento e dedicação prolongados em suas comunidades. A faixa etária predominante entre elas é acima de 50 anos, o que indica uma longa trajetória de trabalho comunitário.
Os desafios enfrentados por essas lideranças incluem a falta de acesso a recursos financeiros para manter suas associações, a desmobilização e a escassez de políticas públicas efetivas. A pesquisadora Natasha Gabriel destacou a dificuldade de manutenção desse trabalho, especialmente em meio à pandemia e ao agravamento da vulnerabilidade social, enfatizando a importância do cuidado coletivo promovido por essas mulheres.
No entanto, apesar dos desafios, apenas 35% das lideranças participam de conselhos ou diálogos com o setor público, o que evidencia a necessidade de maior engajamento e representatividade dessas mulheres em instâncias de decisão. A falta de reconhecimento e remuneração pelo trabalho social desempenhado por elas foi apontada como uma questão central, levantando a reflexão sobre a valorização das atividades comunitárias realizadas por mulheres negras.
Natasha ressaltou a importância da educação não sexista como base para a transformação social, enfatizando a necessidade de valorização da diversidade, solidariedade, empatia e cooperação. Ela questionou por que a sociedade não reconhece o trabalho dessas lideranças como digno de remuneração, considerando sua relevância para a transformação socioambiental.
Diante desse cenário, é fundamental repensar as estruturas sociais e garantir que o trabalho realizado por essas mulheres seja devidamente reconhecido e recompensado, promovendo assim uma maior equidade e justiça social em suas comunidades e na sociedade como um todo.









