BRASIL – Entidades das universidades federais continuam greve e rejeitam acordo proposto pelo Ministério da Gestão em Serviços Públicos

As instituições federais de ensino superior (Ifes) continuarão em greve, conforme anunciado pelas entidades coordenadoras da paralisação em uma entrevista coletiva realizada na manhã desta sexta-feira (24). A decisão veio após o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos anunciar um acordo na segunda-feira (20) que não foi aceito pelas entidades grevistas. Segundo as entidades, as negociações precisam ser continuadas e exigem mais diálogo por parte do governo.

No comunicado enviado na quarta-feira (22) pelo ministério, foi informado às entidades que as negociações com os professores das universidades e institutos federais estavam encerradas. O encontro marcado para a próxima segunda-feira (27) teria como objetivo a assinatura de um termo de acordo, sem margem para novas propostas. O presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), Gustavo Seferian, criticou a postura do governo ao encerrar unilateralmente as negociações e demonstrou a necessidade de continuar os diálogos.

A greve, que teve início em 15 de abril, ainda continua ativa em 59 universidades e mais de 560 colégios federais, de acordo com o balanço do Andes. A proposta do governo, apresentada em maio, prevê aumentos salariais escalonados para os professores até 2026, mas sem nenhum reajuste previsto para este ano, o que tem gerado insatisfação entre a categoria.

Os líderes do movimento alegam que há espaço no orçamento para acomodar as demandas dos professores e estão pressionando o governo a desbloquear recursos para recompor as perdas salariais dos últimos anos. A categoria espera que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa ajudar a destravar as negociações e apoiar as reivindicações dos trabalhadores.

Enquanto as negociações para os professores ainda estão em curso, as propostas para o pessoal técnico-administrativo também estão sendo discutidas, com aumento médio de 28% no período de 2023 a 2026. A greve continua e a expectativa é que haja uma nova rodada de conversas no início de junho para tentar chegar a um acordo satisfatório para ambas as partes. O Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos afirma que as propostas apresentadas são finais e que o governo está aberto ao diálogo com as entidades representativas dos servidores da educação.