BRASIL – Copom do BC mostra preocupação com inflação acima da meta e não prevê novos cortes na taxa Selic, diz ata da reunião.

Em sua última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) demonstrou preocupação com as expectativas de inflação acima da meta estabelecida e decidiu não realizar novos cortes na taxa Selic, os juros básicos da economia. Essa decisão foi motivada pelo cenário macroeconômico mais desafiador do que o previsto anteriormente. De acordo com a ata do encontro, o Copom acredita que a convergência da inflação à meta será determinante para os ajustes futuros na taxa de juros.

O Copom destacou que o ambiente global incerto e a resiliência na atividade doméstica exigem uma postura mais cautelosa na condução da política monetária. A desancoragem das expectativas de inflação também foi um ponto sensível avaliado pelo comitê, que reconheceu a lentidão no processo desinflacionário e as incertezas dos agentes econômicos.

Apesar da redução da Selic pela sétima vez consecutiva, a velocidade do corte foi menor do que o esperado. Entre os motivos que contribuíram para essa decisão estão a desaceleração da economia americana, a volatilidade nos mercados financeiros globais e a persistência da inflação em diversos países.

A situação do mercado de trabalho e a dinâmica da atividade econômica no Brasil foram avaliadas de forma positiva pelo Copom, que reconheceu um desempenho mais dinâmico do que o esperado no primeiro trimestre de 2024, principalmente impulsionado pelo setor de serviços. Esse cenário favoreceu a redução da taxa de juros, mesmo que em um ritmo mais suave.

A questão fiscal foi outro ponto de destaque na discussão do Copom. O comitê reforçou a importância do equilíbrio das contas públicas e das reformas estruturais para a estabilização da dívida pública e para a ancoragem das expectativas de inflação. A percepção de agentes econômicos sobre o compromisso da autoridade monetária também foi considerada na tomada de decisão.

A reunião do Copom evidenciou divergências entre os membros, com votos distintos em relação ao nível de corte de juros a ser realizado. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, desempatou a decisão ao votar por um corte de 0,25 ponto percentual. Os debates internos ressaltaram a importância da credibilidade na condução da política monetária e no compromisso com o combate à inflação.

No geral, a ata da reunião do Copom reflete a preocupação do Banco Central em manter a estabilidade econômica e o controle da inflação, diante de um cenário desafiador e incerto. A expectativa é que a condução da política monetária continue sendo pautada pelo firme compromisso em direção à meta de inflação.