BRASIL – “Intervenções Urbanas em Brasília: As Múltiplas Faces da Cidade Sob o Olhar dos Grafiteiros e da População”

Neste domingo (21), Brasília completa 64 anos e, ao invés de analisar apenas sua paisagem arquitetônica oficial, é possível explorar a diversidade de expressões presentes nas intervenções urbanas da cidade. Sob o Eixo Rodoviário da capital, os passos apressados se misturam aos olhares que percorrem as mensagens escritas nas paredes, os grafites, as pichações e os recados deixados por diversas pessoas.

Nesse cenário, encontramos histórias como a da babá Carolina Sales, moradora de Santo Antônio do Descoberto, que enfrenta diariamente a correria para pegar o ônibus e pensar nos seus quatro filhos em casa. Segundo ela, as passagens subterrâneas são um espaço cheio de mensagens que nem sempre consegue ler, mas que a fazem refletir. Carolina também ressalta o medo de atravessar a avenida movimentada e a tristeza ao ver pessoas em situação de rua vivendo ali.

Outra personagem da cidade é a auxiliar de limpeza Jane Silva, que desde 2019 caminha pelas passagens subterrâneas e se encanta com os grafites. Em meio a obras figurativas e coloridas, ela se guia até o seu ponto de ônibus.

Além dessas histórias, artistas como Brixx Furtado trazem mais vida para as ruas de Brasília com seus grafites. A W3 Sul, importante avenida da capital, se tornou um verdadeiro corredor artístico, com portas de comércios grafitadas e árvores cobertas por crochês.

Essas intervenções urbanas refletem as tensões e diversidade presentes na cidade, como aponta a professora Maria Fernanda Derntl, da UnB. Ela destaca a importância das manifestações artísticas para expressar conflitos e traduzir a diversidade da capital.

Em meio a essas expressões, artistas como Daniel Toys e Gu da Cei também deixam suas marcas, levando arte e reflexão para diferentes locais da cidade. Enquanto isso, moradores como Cristina, Ana e Geiciane encontram nas intervenções urbanas estímulos para seguir em frente e sonhar com um futuro melhor.

Assim, as ruas de Brasília se tornam verdadeiras galerias a céu aberto, onde cada intervenção conta uma história e provoca reflexões sobre a vida e a cidade em sua multiplicidade de expressões.