
BRASIL – Número de médicos ativos no Brasil atinge recorde histórico, com proporção de 2,81 profissionais por mil habitantes, revela estudo do CFM
Desde a década de 1990, o número de médicos no país mais que quadruplicou, passando de 131.278 para o total atual registrado em janeiro de 2024. Esse aumento é muito significativo, especialmente se comparado ao crescimento populacional de 42% no mesmo período, de 144 milhões para 205 milhões de habitantes, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O crescimento do número de médicos tem sido constante, com um aumento médio de 5% ao ano entre 1990 e 2023, superando o aumento médio de 1% ao ano na população em geral. A progressão no volume de médicos de 2022 a 2023 foi especialmente relevante, com um salto de 6,5% no contingente, atingindo 572.960 profissionais.
Um dos fatores que impulsionaram esse crescimento foi a expansão do ensino médico nas últimas duas décadas, acompanhada pela crescente demanda por serviços de saúde. Atualmente, o Brasil tem 389 escolas médicas, o que representa o segundo maior número no mundo, atrás apenas da Índia. Nos últimos dez anos, foram criadas 190 novas escolas médicas, superando o total de todo o século passado.
Apesar desses avanços, ainda existem desafios a serem enfrentados, como a desigualdade na distribuição e no acesso aos profissionais de saúde. A maioria dos médicos opta por se instalar nos estados do Sul e Sudeste, assim como nas capitais, devido às melhores condições de trabalho. Isso resulta em uma falta de investimentos em saúde, vínculos precários de emprego e ausência de perspectivas nos estados do Norte, Nordeste e municípios mais pobres.
Em relação ao perfil dos médicos ativos no Brasil, a idade média é de 44,6 anos, com algumas diferenças entre homens e mulheres. As mulheres já representam a maioria entre os médicos com 39 anos ou menos, indicando uma mudança significativa na composição de gênero na profissão médica.
Apesar do número razoável de médicos registrados nos conselhos regionais de medicina do Brasil, é fundamental continuar trabalhando na distribuição equitativa desses profissionais pelo território nacional. A atual densidade de médicos varia significativamente entre as regiões do país, evidenciando a necessidade de políticas que atuem na fixação dos profissionais nas áreas mais carentes.
Em suma, o aumento no número de médicos é um avanço importante, mas é necessário manter o foco na formação de profissionais de qualidade, na distribuição equitativa e no acesso igualitário aos serviços de saúde em todo o país. A medicina não deve seguir uma lógica de mercado, mas sim atender às demandas e necessidades da população, promovendo a igualdade e a justiça na saúde pública.









