BRASIL – Cacique indígena é encontrado morto em território da Vale em Brumadinho, gerando suspeitas de assassinato e comoção nas comunidades.

O cacique Merong Kamakã Mongoió, líder indígena do povo pataxó-hã-hã-hãe, foi encontrado morto na manhã de segunda-feira (4) em Brumadinho (MG). Ele liderava um grupo de indígenas que há mais de dois anos viviam no terreno de uma mineradora. Anteriormente dispersos em áreas urbanas da região, os indígenas se instalaram no local em outubro de 2021, em um movimento de retomada da aldeia.

Os kamakãs mongoiós, como são conhecidos, decidiram ocupar o terreno em Brumadinho como forma de reivindicar direitos negados durante a pandemia de Covid-19, como acesso a vacinas e alimentos. Em um vídeo divulgado pela União Nacional Indígena (UNI), Merong explicou que a retomada do território tinha como objetivo garantir um espaço para viver, plantar, educar as crianças de forma diferenciada e proteger as nascentes.

A morte de Merong levantou suspeitas de homicídio entre parentes e amigos, que não acreditam na hipótese de suicídio apresentada pela polícia. Frei Gilvander Moreira, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), afirmou ter conversado com o cacique pouco antes de sua morte e afirmou que ele tinha planos para ampliar a luta em defesa dos povos indígenas.

A Polícia Civil está investigando o caso e conta com a participação da Polícia Federal, uma vez que, se confirmado como homicídio, o julgamento poderá ser de competência estadual ou federal, dependendo das circunstâncias do crime. A morte de Merong foi lamentada por diversas entidades, incluindo a Funai e a deputada federal indígena Célia Xakriabá, que ressaltaram a importância da luta dos povos indígenas.

Merong fazia parte de uma família tradicional do povo pataxó-hã-hã-hãe e era conhecido por seu ativismo em prol dos direitos indígenas. Sua morte se soma a uma série de assassinatos e atos violentos cometidos contra lideranças indígenas do mesmo povo nos últimos anos, evidenciando a grave situação de violência enfrentada por essas comunidades.