
BRASIL – Implantação de câmeras corporais por policiais no Rio de Janeiro contribui para queda de 45% em mortes por intervenção policial em janeiro
No decorrer do mês de janeiro, policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil começaram a utilizar câmeras operacionais portáteis em seus uniformes. Até o momento, a Secretaria de Estado da Polícia Militar já distribuiu 12.719 aparelhos para os agentes em serviço, o que evidencia a implementação desse recurso tecnológico como uma estratégia de segurança.
O uso das câmeras foi apontado como um fator crucial na contenção de condutas policiais mais agressivas durante operações, auxiliando na revisão de protocolos e atitudes dos policiais. O pesquisador Robson Rodrigues destacou a importância desse avanço tecnológico, que pode representar um marco na atuação das instituições policiais, aproximando-as dos parâmetros legais de um Estado democrático de Direito.
Por outro lado, o coordenador de defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública, André Castro, ressaltou a necessidade de uma supervisão eficaz do programa de câmeras corporais para garantir os resultados esperados. A efetividade desse investimento tecnológico está diretamente relacionada à gestão e supervisão adequadas do processo.
Além disso, os dados do ISP também apontaram uma redução de 15% no índice de letalidade violenta no estado do Rio de Janeiro em janeiro, em comparação com o ano anterior. Esse indicador, que engloba diversos tipos de mortes violentas, registrou o menor número de vítimas desde 1991.
O professor Daniel Hirata, membro do grupo de trabalho sobre Redução da Letalidade Policial do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), destacou que as ações mais cirúrgicas e pontuais das forças policiais podem ser um fator explicativo para a diminuição das mortes violentas. No entanto, ressaltou que as disputas territoriais entre milicianos e traficantes ainda representam um desafio para a segurança no estado. O ano de 2023 foi marcado por confrontos armados entre esses grupos, e as medidas adotadas este ano parecem contribuir para uma maior tranquilidade nesse cenário.









