BRASIL – Associação Brasileira de Medicina do Tráfego alerta sobre os efeitos de medicamentos na habilidade de dirigir e pede atenção dos motoristas.

Associação Brasileira de Medicina do Tráfego alerta para os riscos de dirigir sob efeito de medicamentos

O uso de medicamentos é comum para prevenir e tratar doenças, porém, a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) alerta para os efeitos colaterais de certas medicações que podem afetar diretamente a habilidade de dirigir. A entidade publicou uma diretriz de conduta médica que avalia o uso de diversos medicamentos, principalmente aqueles que contêm substâncias psicoativas, e suas consequências para quem vai conduzir veículos.

A entidade cita a associação entre o uso de medicamentos, o desempenho na condução veicular e acidentes, colocando foco nos ansiolíticos, sedativos, hipnóticos, antidepressivos, analgésicos opióides e anti-histamínicos. Além disso, a Abramet destaca que outros medicamentos prescritos e/ou adquiridos sem prescrição, como anfetaminas, antipsicóticos e relaxantes musculares, também podem afetar a capacidade de condução segura.

A diretriz tem como propósito orientar políticas públicas ao chamar a atenção para os cuidados que o paciente deve ter quando assumir a direção. A entidade avalia que os efeitos do uso de remédios sobre o ato de dirigir devem entrar no radar também de autoridades do Executivo e do Legislativo.

Em 2009, a associação chegou a recomendar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a utilização de um símbolo de alerta nas embalagens dos chamados Medicamentos Potencialmente Prejudiciais ao Condutor de Veículos Automotores. Essa preocupação é respaldada por dados divulgados por instituições brasileiras que apontam que a compra de remédios já responde por 6,5% dos gastos das famílias brasileiras. Além disso, o consumo de remédios psiquiátricos disparou no Brasil após a pandemia de covid-19.

A Abramet ressalta que, até o momento, nenhuma legislação brasileira aborda os riscos da interface entre medicamentos e a direção de veículos, apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas (ONU) já terem alertado para esses perigos.

A diretriz avalia um conjunto de medicamentos comumente usados pela população e aponta os riscos associados à direção segura. Antidepressivos, anti-histamínicos, benzodiazepínicos, hipnóticos Z e opiáceos são classificados de acordo com seus efeitos prejudiciais à direção.

Para lidar com esses riscos, a entidade oferece orientações tanto para médicos quanto para os próprios motoristas usuários dessas medicações. A Abramet recomenda que os médicos informem aos pacientes os impactos potenciais da medicação sobre a condução veicular e orientem sobre o cuidado redobrado durante o uso do remédio. Além disso, a entidade alerta os motoristas sobre quais tipos de medicamentos podem afetar sua capacidade de dirigir.