BRASIL – Julian Assange enfrenta última chance de evitar extradição para EUA após mais de 13 anos de batalhas legais no Reino Unido.

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, está prestes a enfrentar sua última chance de evitar a extradição para os Estados Unidos, após mais de 13 anos de batalhas nos tribunais do Reino Unido. Os promotores norte-americanos buscam levar Assange a julgamento por 18 acusações relacionadas à divulgação de documentos militares e telegramas diplomáticos confidenciais dos EUA pelo WikiLeaks.

Segundo os promotores, os vazamentos colocaram em risco a vida de agentes norte-americanos, e não há desculpas para esse tipo de crime. Porém, os apoiadores de Assange o consideram um herói anti-establishment e um jornalista perseguido por expor as irregularidades dos EUA.

Do lado de fora da Alta Corte de Londres, uma multidão grande e barulhenta se reuniu para demonstrar seu apoio a Assange, cantando “Apenas uma decisão: nenhuma extradição”. A esposa de Assange, Stella, também se dirigiu à multidão, destacando a importância do momento e a necessidade de todos se mobilizarem em prol da liberdade e da verdade.

As batalhas legais de Assange começaram em 2010, quando o WikiLeaks ganhou destaque pela primeira vez ao publicar um vídeo militar dos EUA mostrando um ataque de helicópteros Apache em Bagdá. O jornalista sofreu diversas idas e vindas nos tribunais, incluindo um período de sete anos na embaixada do Equador em Londres, antes de ser preso em 2019 por violar as condições de fiança.

Após diversas reviravoltas, o Reino Unido aprovou a extradição de Assange para os EUA em 2022, decisão que será contestada em uma audiência de dois dias. Seus advogados argumentarão que o indiciamento de Assange é politicamente motivado e representa um ataque à liberdade de expressão.

Entre os apoiadores de Assange estão a Anistia Internacional, grupos de mídia que trabalharam com o WikiLeaks e políticos da Austrália, seu país de origem. Caso Assange vença o caso, será realizada uma audiência de apelação completa. Por outro lado, se ele perder, sua única opção restante será a Corte Europeia de Direitos Humanos.

Assange e o WikiLeaks têm enfrentado grande controvérsia desde 2010, com a divulgação de milhares de arquivos secretos e telegramas diplomáticos que revelaram avaliações altamente críticas dos EUA sobre líderes mundiais. A veracidade e legalidade dessas divulgações são fundamentais para o desfecho do caso de extradição.