BRASIL – Câmara Municipal de Florianópolis aprova projeto de internação forçada de pessoas em situação de rua com transtornos mentais ou usuárias de drogas

Um Projeto de Lei polêmico foi aprovado pela Câmara Municipal de Florianópolis nesta terça-feira (19), com 17 votos a favor e 4 contra. O PL 19.044/2024 autoriza a internação forçada de pessoas em situação de rua com transtornos mentais ou usuárias de drogas. De autoria do Poder Executivo, a proposta já havia sido debatida e aprovada em primeiro turno na última quarta-feira (14) e agora segue para a sanção do prefeito, Topázio Neto.

Na votação, a vereadora Cíntia Mendonça (PSOL) e os vereadores Afrânio Tadeu Boppré (PSOL), Carla Ayres (PT) e Tânia Ramos (PSOL) foram contrários ao projeto. O texto justifica a medida como um ato de “internação humanizada” e se estende a pessoas com dependência química crônica, com prejuízos à capacidade mental, pessoas em vulnerabilidade e pessoas consideradas incapazes de emitir opiniões ou tomar decisões.

No entanto, a Defensoria Pública da União e a Defensoria Pública de Santa Catarina já se manifestaram contra o texto, afirmando que “não é capaz de alcançar os fins a que se propõe, além de violar a ordem legal e constitucional”. Aprovada em regime de urgência urgentíssima, a proposta tem como intenção evitar que Florianópolis se torne outra Cracolândia, em uma referência à região que concentra usuários de drogas na capital paulista.

Apesar disso, a vereadora Cíntia Mendonça observou que a proposta aprovada não condiz com os princípios da reforma psiquiátrica feita no país, que propôs a regulamentação dos direitos da pessoa com transtornos mentais e a extinção progressiva dos manicômios no país. A luta antimanicomial ganhou força na década de 1970 e a vereadora acredita que a internação forçada desvia da política nacional voltada à população em situação de rua e prioriza a detenção em detrimento de ações mais efetivas e humanizadoras, como as voltadas à oferta de emprego e moradia às pessoas em situação de rua.

A Agência Brasil procurou a prefeitura de Florianópolis, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. A proposta enfrenta críticas e desafios, pois o tema é delicado e envolve questões éticas e legais que precisam ser cuidadosamente avaliadas. A discussão sobre os rumos da política pública para pessoas em situação de rua e usuárias de drogas certamente continuará.