
BRASIL – Capoeira em São Paulo: pesquisa censitária mapeará grupos da cidade e busca impulsionar políticas públicas para a arte afrodescendente.
A previsão é de que os dados sejam coletados ao longo de aproximadamente três meses, com a etapa seguinte de gestão e organização destinada a durar cerca de seis meses, de acordo com o planejamento inicial. O resultado da pesquisa será apresentado no dia 17 deste mês. A ideia é visitar os espaços de capoeira e entrevistar as pessoas responsáveis, além de produzir um banco de dados que ficará disponível para entidades de capoeira e pesquisadores.
O contramestre Renato Manoel de Souza, mais conhecido como Palito, destacou a importância de envolver no projeto apenas pessoas comprometidas com a capoeira, uma manifestação cultural historicamente alvo de ataques devido ao racismo. Ele ressaltou que a discriminação é direcionada à pessoa negra e não à atividade da capoeira em si, enfatizando que mestres negros têm sido vítimas de assassinatos por intolerantes políticos, mesmo com a contribuição significativa para a área.
Renato Manoel de Souza atua em diversas frentes no movimento negro, sendo um participante ativo na Oluko ilé Ékó Escola do Saber e na Biblioteca Comunitária Assata Shakur, na Vila Formosa. Ele alertou para o fato de que, caso um espaço não mapeado deixe de existir durante a pesquisa, isso não será conhecido.
O censo é um desdobramento de outras ações que começaram entre 2018 e 2019. A deputada estadual Leci Brandão organizou uma audiência pública no final de 2019 para agilizar o levantamento nos municípios, a partir da criação dos fóruns de capoeira.
Em meio à pandemia e ao período eleitoral, foi lançado o Mapa São Paulo da Capoeira, com o mapeamento de cerca de 450 grupos. O Fórum da Capoeira do Município de São Paulo foi criado em dezembro de 2020, sendo estabelecido como o espaço no qual as demandas da capoeira na cidade passaram a ser discutidas.
Segundo Renato Manoel de Souza, a pesquisa censitária ajudará a qualificar as ações do movimento dos capoeiristas junto ao poder público e deverá impulsionar uma descentralização de recursos e políticas públicas, beneficiando diversos grupos. Ele enfatizou que a cultura afrodescendente, preta, diaspórica é fundamental para o desenvolvimento da maior cidade do país.









