CARNAVAL: Bloco No Escurinho É Mais Gostoso expõe revolta contra falta de valorização de JHC

A Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC) mergulhou a capital alagoana na escuridão antes mesmo do início da tão aguardada temporada de blocos de rua.

Com uma história de 13 anos, o Bloco No Escurinho É Mais Gostoso, que tradicionalmente conta com financiamento coletivo e, crucialmente, recursos provenientes de editais municipais, agora enfrenta um cenário desolador.
Contrariando a expectativa de promover o estímulo e o fortalecimento da cultura local, a FMAC tem sido criticada por assumir ares de uma corporação de entretenimento, concentrando esforços no marketing pessoal do prefeito JHC. O enfoque na venda de uma Maceió “instagramável”, exclusivamente voltada para artistas de renome nacional com cachês exorbitantes, tem deixado de lado a riqueza cultural representada pelos talentos locais.

A Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa (Semce) também está sob escrutínio, pois não apresenta qualquer iniciativa para preservar e promover os blocos nas prévias de Maceió, carecendo de políticas públicas estruturantes para esse segmento crucial da cultura local. As informações foram publicada pelo perfil do “No Escurinho É Mais Gostoso”, no Instagram, em nota de esclarecimento divulgada na quinta-feira, 25.

A ausência do edital anual que tradicionalmente apoia os blocos de rua agrava a situação. Artistas locais, que ao longo do ano participaram de eventos como São João e Dia das Crianças, enfrentam incertezas quanto ao pagamento por seus serviços. Enquanto nomes como Luiza Sonza e Leo Santana ganham destaque, os artistas e manifestações culturais dos blocos de rua de menor porte, localizados no histórico bairro do Jaraguá, sofrem com a triste realidade de não poder desfilar suas criações este ano.

O lamento “Eu queria era botar meu bloco na rua” ecoa entre os participantes, ilustrando um sentimento generalizado de descontentamento diante da situação. Infelizmente, parece que desta vez, o anseio por celebrar a cultura local será frustrado pela falta de apoio e valorização por parte das autoridades municipais.