
BRASIL – Estudo aponta que uso off label de hidroxicloroquina pode ter causado 17 mil mortes por Covid-19 em seis países
Os pesquisadores alertam para as limitações do estudo, destacando que as estimativas de mortes podem estar tanto sub quanto superestimadas. No entanto, eles ressaltam que o estudo ilustra os perigos de mudar a recomendação de um medicamento com base em evidências fracas, especialmente durante emergências de saúde pública. Segundo os cientistas, a rapidez na produção de evidências de alto nível em testes clínicos randomizados para doenças emergentes é essencial para evitar tragédias como a associada ao uso off label da hidroxicloroquina.
Originalmente indicada para o tratamento de doenças como malária, lúpus e artrite, a hidroxicloroquina teve seu uso defendido por autoridades políticas, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante a pandemia de covid-19, mesmo após evidências científicas mostrarem sua ineficácia e riscos. A Organização Mundial da Saúde suspendeu os testes com a hidroxicloroquina para o tratamento da covid-19 nos primeiros meses da pandemia, em reconhecimento à sua ineficácia e para preservar a segurança dos pacientes.
Além das questões de eficácia, o estudo dos pesquisadores franceses e canadenses reforça o aumento do risco de problemas cardiovasculares associados ao uso prolongado da hidroxicloroquina. Os pesquisadores também citam um estudo de colegas brasileiros que relaciona o medicamento a efeitos colaterais no coração e no fígado.
Em resumo, o estudo destaca a importância de tomar decisões médicas embasadas em evidências robustas, especialmente em momentos de crise, e ressalta os riscos associados ao uso off label de medicamentos, como no caso da hidroxicloroquina durante a pandemia de covid-19. A pesquisa reforça a necessidade de realização de testes clínicos randomizados para o desenvolvimento de tratamentos eficazes em situações de emergência de saúde pública.









