BRASIL – Ministro interino da Fazenda defende busca por equilíbrio fiscal na questão da reoneração da folha de pagamento.

Ministro interino da Fazenda defende equilíbrio fiscal na reoneração da folha de pagamento

Nesta quarta-feira (10), o ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, defendeu a importância de buscar o equilíbrio fiscal como solução para o impasse da reoneração da folha de pagamento. Durigan ressaltou a premissa que o Congresso demonstrou no ano passado ao liderar a agenda das medidas que foram aprovadas para aumentar a arrecadação.

O impasse da reoneração da folha de pagamento surgiu após o Congresso Nacional derrubar, por ampla maioria, o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto que prorrogou a desoneração de 17 setores da economia. Em resposta, o governo editou a Medida Provisória 1.202 (MP), que prevê uma reoneração gradual desses setores. A Fazenda afirma que a medida visa recuperar R$ 6 bilhões em arrecadação neste ano, contribuindo para zerar o déficit nas contas públicas.

Durigan e outros representantes do Executivo se reuniram com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para buscar uma solução negociada para o impasse. Parlamentares da oposição sugeriram que Pacheco devolva o texto para o governo e este envie um projeto de lei com o mesmo teor para que possam discutir o tema sem a urgência criada pela medida provisória.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que está de férias, anunciou que a desoneração representa um privilégio aos setores beneficiados, sem que o resultado de aumento de empregos tenha sido alcançado. A medida estende até 2027 a desoneração da folha de pagamento para setores intensivos em mão de obra, mantendo a contribuição para a Previdência entre 1% e 4,5% sobre a receita bruta. Até 2011, a contribuição correspondia a 20% da folha de pagamento.

Durigan reforçou que o impacto da desoneração nas contas deve ser levado em conta por Pacheco e pelos parlamentares, enfatizando a importância do equilíbrio fiscal e da responsabilidade fiscal. Ele frisou que é preciso olhar para o que tem de despesa e fazer as compensações, sempre considerando o equilíbrio das contas públicas.

Assim, a busca por uma solução negociada para o impasse da reoneração da folha de pagamento continua, com a discussão sobre a devolução da MP ao governo e o tratamento do tema por meio de projeto de lei. A decisão final deve ser tomada na semana que vem, após conversas entre o presidente do Senado e o ministro da Fazenda.