BRASIL – ‘Lanceiros Negros são incluídos no Livro de Heróis da Pátria após luta na Guerra Civil Farroupilha’

Na última segunda-feira, 8 de janeiro de 2024, o grupo dos Lanceiros Negros foi oficialmente homenageado e inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, conhecido como Livro de Aço. A homenagem foi estabelecida pela Lei 14.795/2024, publicada no Diário Oficial da União, em um reconhecimento do papel significativo que esses homens escravizados desempenharam na Guerra Civil Farroupilha, lutando ao lado dos revolucionários contra as tropas imperiais.

Os Lanceiros Negros fizeram parte de um episódio crucial da história do Brasil, demonstrando exímias habilidades tanto de montaria quanto de manuseio de lanças, que foram fundamentais para o sucesso dos batalhões revolucionários. Segundo o jornalista e autor do livro “Kamba’race: afrodescendências no exército brasileiro,” Sionei Ricardo Leão, a formação e eficiência da cavalaria dos Lanceiros Negros foi inédita e surpreendente, considerando que a propriedade de animais, como cavalos, era associada a pessoas nobres na época.

A participação dos Lanceiros Negros na Guerra Civil Farroupilha é um marco na história da região, especialmente pela inusitada organização de uma tropa montada por escravizados. No entanto, a traição no episódio do Massacre dos Porongos, no qual cerca de 100 Lanceiros Negros desarmados foram traídos e fuzilados pelos próprios revolucionários, ressalta a luta e a traição que muitos escravizados enfrentaram durante esse período turbulento.

Essa homenagem reflete um reconhecimento à justiça à memória desses heróis negros, que lutavam por liberdade e, em sua maioria, foram enganados e traídos. Alguns dos Lanceiros Negros foram levados ainda escravizados para o Rio de Janeiro, permanecendo nessas condições até a promulgação da Lei Áurea. Outro grupo foi incorporado ao Regimento de Cavalaria do Exército Imperial, mas, como ressalta Sionei, muitos deles e outros grupos não receberam o reconhecimento e a recompensa prometidos.

Ao lado dos Lanceiros Negros, o compositor e cantor Luiz Gonzaga do Nascimento, conhecido como Rei do Baião, e a educadora e filantropa Dorina de Gouvêa Nowill, que promoveu a acessibilidade e educação para pessoas cegas, também foram incluídos no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria neste dia histórico.

O Livro de Aço, localizado no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, é um memorial brasileiro que eterniza os nomes de pessoas importantes na construção do Brasil. Nesse memorial, figuram nomes como Zumbi dos Palmares, Zilda Arns, Carlos Gomes e Chico Mendes, demonstrando a diversidade e relevância dos heróis e heroínas da nação.