
BRASIL – Lei em Maceió obriga mulheres a assistir vídeos e ver imagens antes de realizar aborto legal na rede pública
Proposto pelo vereador Leonardo Dias (PL), o texto foi promulgado pela Câmara Municipal de Maceió e também estipula que as equipes de saúde abordem a opção de levar adiante a gravidez e deixar as crianças para adoção, durante as conversas com as mulheres que buscam o aborto. A lei entra em vigor mesmo com o Brasil já permitindo o aborto em três situações: quando a gravidez resulta de um estupro, quando a gestação representa um risco à vida da mulher e nos casos em que o feto tem anencefalia.
Neste contexto, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) se manifestou contrária à medida, classificando-a como “inaceitável” e “um ataque encabeçado por fundamentalistas e a extrema direita”. Para ela, a Câmara Municipal de Maceió tem o objetivo de “constranger” as mulheres que têm direito ao aborto legal. Hilton informou que acionou o Ministério Público Federal para assegurar o direito ao aborto legal para as mulheres e destacou que as autoridades de Maceió deveriam focar sua atenção nas calamidades que afetam a população do município.
Dados da pesquisa Nascer no Brasil, realizada por especialistas da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostram que aproximadamente 55% das brasileiras que tiveram filhos não desejavam engravidar, evidenciando dificuldades de acesso a exames fundamentais para as gestantes, como os de pré-natal, em diversas localidades.
O Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea) destacou que a sociedade brasileira está menos conservadora em relação ao aborto do que se imagina, citando uma pesquisa feita em parceria com o Observatório de Sexualidade e Política (SPW) e o Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O estudo revelou que entre 2018 e 2023, aumentou a quantidade de brasileiros e brasileiras que são contra a punição das mulheres que optam por fazer um aborto.
Diante dessa controvérsia, a nova lei em Maceió levanta questionamentos sobre respeito aos direitos das mulheres e a interferência do Estado na decisão pessoal e privada sobre a gestação. Ainda é incerta a repercussão e as implicações dessa medida, que está sendo contestada por diversas vozes no cenário político e social.









