BRASIL – Mulher muçulmana é agredida e tem véu arrancado em ataque islamofóbico no interior de São Paulo

No último dia 15, uma mulher muçulmana de 35 anos foi vítima de agressão em Jundiapeba, distrito de Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo. Imagens gravadas por câmeras mostram o momento em que outra mulher se aproxima dela, a agride fisicamente, dispara xingamentos e tenta arrancar seu véu, símbolo de devoção a Deus na tradição islâmica.

O caso foi denunciado como islamofobia na última terça-feira pelo sheik Rodrigo Jalloul, do Centro Islâmico da Penha. O religioso afirma que a vítima chegou a pedir ajuda à Polícia Militar, mas os agentes orientaram que ela fosse a uma delegacia para prestar queixa na segunda-feira, alegando que o atendimento em dia de semana seria melhor do que o de plantonistas.

A agressão foi registrada pela polícia como um crime de lesão corporal. A identidade dos agressores não foi informada pela vítima. De acordo com o sheik Jalloul, a comunidade islâmica tem sofrido mais violência desde o ataque organizado pelo grupo Hamas contra Israel em 7 de outubro. Segundo ele, a hostilidade contra seguidores do islamismo tem se intensificado desde os ataques às Torres Gêmeas nos Estados Unidos em 2001.

Para o líder muçulmano, o caso da agressão à mulher não é isolado, e ele relata que tem recebido relatos de agressões verbais e hostilidades contra a religião muçulmana. A Secretaria da Segurança Pública confirmou que o caso foi registrado como lesão corporal pelo 4º DP de Mogi das Cruzes e que a vítima foi orientada quanto ao prazo para a representação criminal.

A comunidade islâmica teme que a hostilidade contra eles atinja outro nível após o ataque do grupo Hamas, e especialistas apontam que a associação entre seguidores do islamismo e atos de terrorismo tem contribuído para intensificar o ódio contra essa religião. A agressão à mulher muçulmana em Jundiapeba é mais um exemplo desse contexto de aumento da intolerância religiosa.