
BRASIL – Biomédica conclui que vítimas do Massacre de Paraisópolis morreram por asfixia mecânica, não por pisoteamento
Ana Paula defendeu que deveria ter sido feita uma análise para avaliar em que nível de consciência e situação as vítimas estavam e iniciado o suporte de vida. Ela criticou a conduta dos policiais diante do tumulto que se formou no Baile da DZ7, argumentando que uma parada cardiorrespiratória é uma emergência de primeira categoria e que os policiais não acionaram uma equipe para socorrer as vítimas.
A biomédica também esclareceu que substâncias como o gás de pimenta, amplamente usadas pela polícia, podem desencadear piora nos quadros respiratórios já fragilizados, e que muitos países proíbem essas substâncias na contenção ou dispersão de multidões.
O depoimento de Ana Paula foi acompanhado pela resistência da defesa dos policiais, que sugeriu que as mortes teriam relação com o uso de álcool e drogas ilícitas pelos jovens, além de questionar a imparcialidade da análise da especialista.
Além do depoimento de Ana Paula, a audiência contou com o relato de uma testemunha sob proteção, mas identidade não revelada. A coordenadora da equipe do Coaf, Desirée Azevedo, também depôs, dimensionando o total de materiais audiovisuais analisados pelo centro de pesquisa.
O caso do Massacre de Paraisópolis ocorreu em dezembro de 2019, quando uma ação da Polícia Militar em um baile funk na comunidade de Paraisópolis resultou na morte de nove jovens. A causa das mortes tem sido contestada, com relatórios elaborados pela Defensoria Pública de São Paulo apontando a asfixia como a causa da morte, e não o pisoteamento como alegado pelos policiais. A audiência marcou mais um passo no julgamento do caso e na busca por justiça para as vítimas do trágico evento.









