BRASIL – Setor cultural no país tem mais trabalhadores qualificados e salários maiores, apesar da informalidade, mostra pesquisa do IBGE

O setor cultural no país é um dos que têm uma proporção maior de empregos informais em comparação com o total das atividades econômicas. No entanto, é composto por trabalhadores mais qualificados e recebe salários mais altos. Estes são os principais resultados da pesquisa Sistema de Informações e Indicadores Culturais, recentemente divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o levantamento, o setor cultural empregava 5,4 milhões de pessoas em 2022, representando 5,6% do total de ocupados em todas as atividades econômicas. Esta proporção é muito próxima da registrada em 2019, período pré-pandemia. Em 2020, no entanto, devido ao isolamento social e os lockdowns, o número de empregados caiu para 4,8 milhões.

A pesquisa demonstrou que 30,6% dos trabalhadores do setor cultural possuem ensino superior completo, um índice maior do que a média do total das atividades, que é de 22,6%. Apesar de mais qualificados, esses profissionais lidam com um nível de informalidade mais alto, com uma taxa de informalidade de 43,2%, em comparação com a taxa de 40,9% na economia como um todo.

Outra característica do setor cultural é a grande participação de trabalhadores por conta própria, que representa 42,1%, acima dos 26,1% do total da economia. O rendimento médio dos trabalhadores do setor cultural foi de R$ 2.815, enquanto no país como um todo o rendimento médio ficou em R$ 2.582.

A pesquisa também analisou o peso e comportamento dos gastos com atividades, produtos e serviços culturais no bolso das famílias brasileiras. O levantamento identificou que 31,4% da população moram em municípios onde não há museus, 30,6% onde não há teatros, e 42,5% da população vivem em cidades sem salas de exibição.

O levantamento mostra que a Região Norte é a mais desfavorecida, com 70% dos municípios a mais de uma hora de um museu. O Centro-Oeste tem 28,5% e o Nordeste 15,4%. No Sudeste, 5,3% das cidades estão nessa situação, enquanto no Sul, apenas 1,3% das cidades estão a menos de uma hora de um museu.

Quanto aos gastos públicos, 2022 foi o ano que mais teve gastos públicos no setor cultural, totalizando R$ 13,6 bilhões em valores correntes, uma expansão de aproximadamente 73% em relação a 2012. Na esfera administrativa, houve uma redução de gastos federais em 33,3%, mas estados e municípios tiveram aumentos significativos.

Esses dados revelam importantes características do setor cultural no Brasil, demonstrando tanto suas potencialidades quanto suas fragilidades.