BRASIL – Ministro lança projeto de Sinalização e Reconhecimento de Lugares de Memória dos Africanos Escravizados no Brasil no Cais do Valongo.

Ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Sílvio Almeida, participa do lançamento do projeto Sinalização e Reconhecimento de Lugares de Memória dos Africanos Escravizados no Brasil, no Cais do Valongo, no Rio de Janeiro. Durante o evento, Almeida enfatizou a importância de construir políticas de memórias para a reconstrução do Brasil. Ele ressaltou que as políticas de memória são essenciais para forjar identidades individuais e coletivas, além de dar sentido ao presente e construir um futuro a partir das experiências do passado.

O projeto visa dar visibilidade à história da matriz africana e inclui a instalação de placas alusivas ao reconhecimento feito pelo Programa Rotas dos Escravizados da UNESCO. As placas serão instaladas em portos, igrejas, praças, terreiros de candomblé, quilombos e locais de movimentos de resistência.

Almeida destacou a importância do reconhecimento dos lugares de memória dos africanos escravizados no Brasil para manter viva a memória da escravidão e reforçar a luta para impedir que fatos semelhantes se repitam. Ele ressaltou que a memória também é uma arma de luta e que é necessário buscar a verdade, a justiça e a reparação.

Almeida comparou a violência sofrida durante a escravidão com a praticada no período da ditadura militar, destacando a importância de compreender a escravidão como parte fundamental da formação econômica do Brasil e de buscar a reparação também do ponto de vista econômico. Ele enfatizou que a escravidão foi a forma política do Brasil no século 19 e que é crucial buscar políticas públicas nessa área.

O Cais do Valongo, onde ocorreu o lançamento do projeto, é patrimônio cultural mundial reconhecido pela UNESCO, e foi o local de desembarque de cerca de um milhão de africanos na cidade do Rio de Janeiro. Os vestígios do Cais foram descobertos em 2011, durante obras de revitalização da região portuária.

O projeto também contempla a disseminação por meio de plataformas digitais, educação e cultura em direitos humanos, visando cumprir a obrigatoriedade do estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena, prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, destacou que o projeto recupera a história do Brasil e desvenda a visão que retira a contribuição de negras e negros para a nação brasileira. Ela enfatizou o compromisso em contar a história que a história não conta e ressaltou a importância da memória e da reparação como diretrizes para a eliminação das desigualdades.

O projeto é uma parceria entre os ministérios dos Direitos Humanos e Cidadania, da Igualdade Racial, da Educação e da Cultura, com a UNESCO e apoio da Universidade Federal Fluminense.