BRASIL – Ministério da Saúde revela que 1 milhão de pessoas viviam com HIV no Brasil em 2022

Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Ministério da Saúde, o Brasil registrou a marca de 1 milhão de pessoas vivendo com HIV em 2022. Destas, 900 mil foram diagnosticadas, o que representa 90% do total, e 731 mil estão em tratamento antirretroviral, o que corresponde a 81% das pessoas diagnosticadas. Além disso, 95% das pessoas em tratamento antirretroviral têm carga indetectável do vírus. Esses números revelam que o país atingiu uma das três metas globais estabelecidas pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) para que a aids deixe de ser considerada uma ameaça à saúde pública até 2030.

Quando analisamos o perfil das pessoas vivendo com HIV, é possível observar que 350 mil são mulheres, enquanto 650 mil são homens. No entanto, a taxa de diagnóstico entre as mulheres é de 86%, em comparação com os 92% dos homens. O tratamento antirretroviral também é mais baixo entre as mulheres, com 79% delas recebendo tratamento, em comparação com 82% dos homens. O diretor do departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis, Draurio Barreira, destacou que as mulheres apresentam desfechos piores em relação ao HIV, desde o diagnóstico até a supressão da carga viral.

A população de gays e outros homens que fazem sexo com homens com mais de 18 anos têm uma prevalência do HIV de 18,4%, em comparação com a média da população brasileira de 0,49%. Já entre pessoas que usam drogas, o índice é de 6,9%, e entre trabalhadoras do sexo com mais de 18 anos, é de 5,3%.

Quanto aos novos casos de HIV, o país registrou 43.403 casos em 2022, sendo 73,6% em homens e 26,3% em mulheres. Destas mulheres, 63,3% são jovens com idade entre 20 e 39 anos. Já os novos casos de aids, fase avançada do HIV, totalizaram 36.753 em 2022, a maioria em homens. O grande desafio é combater o estigma e a discriminação, para que essas pessoas tenham acesso ao tratamento e ao diagnóstico do HIV.

Em relação às mortes, o país registrou 10.994 óbitos causados pelo HIV em 2022, contra 11.515 em 2021. A prevenção continua sendo uma necessidade urgente, com a profilaxia pré-exposição (PrEP) se mostrando uma ferramenta importante. Até outubro de 2023, houve um aumento significativo no número de novos usuários de PrEP, totalizando 5.533 pessoas. No entanto, é importante destacar que a PrEP é mais acessada pela população branca em comparação com pessoas de outras etnias.

Além disso, o boletim epidemiológico aponta para a importância do diagnóstico do HIV em gestantes, a fim de aplicar medidas de prevenção eficazes e evitar a transmissão vertical do vírus. Em 2022, houve um predomínio de casos de gestantes com infecção pelo HIV, sobretudo entre mulheres pardas, seguidas por brancas e pretas. A cobertura igual ou superior a 95% de tratamento antirretroviral durante o pré-natal é uma meta a ser alcançada. A luta contra o HIV continua, e expandir o uso da PrEP é uma das prioridades do Ministério da Saúde para combater a epidemia de HIV no Brasil.