BRASIL – Ministro da Justiça alega falta de segurança para faltar à audiência na Câmara pela terceira vez, gerando polêmica.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, faltou pela terceira vez à convocação da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, na terça-feira (21). Em ofício encaminhado ao presidente da Casa, deputado federal Arthur Lira (PP-AL), Dino reiterou que é alvo de ameaças proferidas por parlamentares e, por isso, não compareceu ao colegiado.

Em seu comunicado, Dino alegou que as ameaças, xingamentos e confusões de outras convocações o impedem de comparecer à Comissão e que pediu providências quanto à conduta do presidente da comissão, deputado Sanderson (PL-RS), alegando falta de capacidade e de isenção do parlamentar. Ao mesmo tempo, o ministro solicitou que a reunião seja realizada em uma comissão geral no plenário da Câmara, repetindo os argumentos usados para não comparecer à última convocação feita pela comissão no dia 24 de outubro.

Em resposta, o deputado Sanderson afirmou que a ausência do ministro configura crime de responsabilidade com base no Artigo 50 da Constituição Federal, alegando que “Ministros de Estado, quando convocados, havendo pertinência temática e não comparecendo, automaticamente cometem crime de responsabilidade”.

No documento enviado ao presidente da Câmara, o ministro argumenta que algumas manifestações de deputados de oposição à atual gestão federal equivalem a ameaças contra sua integridade e afirma ter sido orientado a não comparecer à sessão. Dino reproduz fotos de parlamentares governistas e de oposição quase chegando às vias de fato para apontar o “inusitado clima agressivo, hostil e de desordem” que, segundo ele, marca os trabalhos da comissão.

Além disso, o ministro da Justiça e Segurança Pública tem sido convocado pela Comissão de Segurança da Câmara para falar de diferentes temas. Os parlamentares querem explicações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro, a regulamentação das armas, invasão de terras, supostas interferências na Polícia Federal, entre outros temas.

Diante de todas essas questões, o impasse entre o ministro e a comissão permanece, com ambas as partes mantendo suas posições. Fica evidente a tensão e a polarização que marcam o cenário político atual e que se reflete inclusive no âmbito das convocações e discussões no Congresso Nacional. A ausência de diálogo e a falta de consenso perpetuam o ambiente de confronto e divergências, o que acaba impactando diretamente no andamento das atividades legislativas e administrativas do país. Caberá aos envolvidos encontrar uma solução para que as instituições possam atuar em conjunto em prol do interesse público e do bem-estar da sociedade.