BRASIL – Auditoria do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo revela equipamentos quebrados e remédios vencidos em unidades de saúde gerenciadas por organizações sociais.

Uma auditoria surpresa realizada pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP) em 170 unidades de saúde gerenciadas por organizações sociais (OS) no estado revelou uma série de problemas. A inspeção, realizada na última quinta-feira, verificou que mais de 30% das unidades estavam com equipamentos quebrados e em 10% delas foram encontrados medicamentos vencidos.

As unidades fiscalizadas estavam distribuídas em 98 cidades, incluindo 131 equipamentos municipais e 39 estaduais. Além disso, foi constatado que 53,53% das unidades não possuíam o auto de vistoria do Corpo de Bombeiros, documento que atesta o cumprimento das regras de segurança contra incêndio. Outras falhas apontadas pela auditoria incluem problemas na área de armazenamento de remédios, na limpeza e dificuldades na transferência de pacientes, sendo que em quase 30% das unidades vistoriadas não havia ambulância disponível para transferências.

Outro ponto de destaque foi a constatação de que o controle de frequência dos médicos ainda é feito manualmente em mais da metade das unidades visitadas (52,91%). A acessibilidade para pessoas com necessidades especiais ainda era um problema em 16 unidades, afetando 90,59% das unidades fiscalizadas. Além disso, o prontuário eletrônico do paciente, que reúne todos os procedimentos realizados, estava parcialmente implantado em 21,18% das unidades e não estava disponível em 16,47% delas.

O presidente do TCESP, Sidney Beraldo, ressaltou que a auditoria também apontou para a falta de fiscalização por parte dos gestores públicos em relação às organizações sociais. Segundo ele, muitos administradores estão deixando de lado essa responsabilidade.

De acordo com o Painel do Terceiro Setor do tribunal, entre janeiro e junho deste ano, o governo estadual transferiu mais de R$ 4 bilhões para entidades privadas da área da saúde. Já as prefeituras repassaram quase R$ 3,5 bilhões para organizações sociais do setor.

A Secretaria de Estado da Saúde informou que aguarda o relatório final da fiscalização para analisar os apontamentos em cada unidade de saúde e tomar as providências cabíveis. A comparação com a fiscalização feita em outubro do ano passado será divulgada na próxima semana, mostrando quais providências foram tomadas em relação aos problemas encontrados.