
BRASIL – “Estudo revela aumento da violência contra comunidades quilombolas, com média anual de assassinatos praticamente dobrada nos últimos cinco anos”
O estudo não inclui o assassinato de Mãe Bernadete em agosto deste ano, já que as informações são referentes até 2022, mas há a constatação preliminar de sete mortes em 2023. No período de 2018 a 2022, 32 assassinatos foram registrados em 11 estados, sendo os principais motivos desses ataques os conflitos fundiários e a violência de gênero. A pesquisa destaca ainda que pelo menos 13 quilombolas foram mortos durante conflitos pela garantia de seus territórios.
Segundo a socióloga Givânia Maria da Silva, coordenadora do coletivo nacional de educação da Conaq, a pesquisa foi realizada in loco nas comunidades e demonstra números que ultrapassam a realidade noticiada pelos meios de comunicação, refletindo a estrutura racista da sociedade brasileira. Em relação à política de terra, as entidades pesquisadoras apontam que esta questão é fortemente atravessada pelo racismo, com a terra sendo um fator crucial para os ataques sofridos pelas comunidades.
Os estados do Maranhão, Bahia, Pernambuco e Pará se destacam pelos maiores números de casos, demonstrando que a violência é uma triste realidade que assola diversas regiões do país. No entanto, é importante ressaltar que o estudo também aponta para a falta de processos abertos no Instituto Nacional de Reforma e Colonização Agrária (Incra) em comunidades onde ocorreram assassinatos, o que denuncia a morosidade no processo de regularização fundiária e a necessidade de políticas públicas mais eficazes.
Diante desse cenário, as entidades realizadoras do estudo recomendam que o Estado e municípios elaborem planos de titulação dos territórios quilombolas, com metas concretas anuais, orçamento adequado e estrutura administrativa para a titulação dos territórios quilombolas. Além disso, ressaltam a urgência de proteção aos defensores e defensoras dos direitos humanos, visando a preservação destas comunidades e a garantia de seus territórios. Sendo assim, o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania reinstalou a Comissão Nacional do Enfrentamento à Violência no Campo, visando consolidar a proteção coletiva de povos indígenas e quilombolas.
Mesmo diante da dor e do luto, Jurandir Pacífico, filho de Mãe Bernadete, busca honrar a memória da mãe através da criação de um instituto que leva o seu nome, com o intuito de preservar o legado cultural e social de Mãe Bernadete, e ajudar outras comunidades com a documentação necessária. A luta e resistência das comunidades quilombolas ainda encontram muitos obstáculos, sendo necessária uma maior atuação e proteção por parte das autoridades.









