BRASIL – Racismo estrutural: estudo aponta que 65,7% das pessoas mortas pela polícia em 2022 eram negras em oito estados brasileiros.

Em 2022, as estatísticas de letalidade policial apresentaram números alarmantes em apenas oito estados brasileiros, com um total de 4.219 mortes. Desse número, 2.700 foram pessoas classificadas como negras, o que corresponde a 65,7% do total. Quando observados apenas os casos com a cor e a raça informadas, a proporção de negros entre os mortos sobe para 87,4%.

Os dados foram obtidos através do estudo Pele Alvo: a Bala não Erra o Negro, resultado de uma pesquisa realizada pela Rede de Observatórios da Segurança, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec). Este estudo se baseou em estatísticas fornecidas pelas polícias de oito estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Pernambuco, Ceará, Piauí, Maranhão e Pará, recolhidas com base na Lei de Acesso à Informação (LAI).

Os números revelaram que a polícia baiana foi a mais letal em 2022, com 1.465 mortes registradas, das quais 1.121 eram de pessoas negras, representando 94,8% dos casos com cor/raça informada. Tal proporção é muito superior à parcela de negros na população total do estado, que é de 80,8%. Situação semelhante ocorreu nos demais estados analisados, onde a porcentagem de negros entre os mortos foi maior do que a porcentagem desta população na sociedade.

Diante desse cenário, o coordenador do CESeC, Pablo Nunes, ressalta que os dados evidenciam um problema estrutural de racismo e violência policial no Brasil. Ele destaca que a falta de transparência na divulgação dessas informações em estados como Maranhão, Ceará e Pará revela a falta de preocupação em tratar esse problema e elaborar políticas públicas para sua resolução.

Além disso, a pesquisadora Silvia Ramos ressalta que essa questão deve ser encarada como um problema político e social, enfatizando a importância de alocar recursos em políticas públicas que garantam a segurança de toda a população.

Diante destas revelações, houve posicionamentos das Secretarias de Segurança de São Paulo, Pará, Bahia e Rio de Janeiro. Todas destacaram ações e protocolos que visam à redução da letalidade policial e ao combate do racismo nas instituições. A Polícia Militar do Rio de Janeiro, por exemplo, afirmou que em seus cursos de formação e aperfeiçoamento inclui disciplinas que abordam a questão dos direitos humanos e a importância da diversidade racial na corporação.

Entretanto, o estudo Pele Alvo: a Bala não Erra o Negro deixa claro que a letalidade policial contra pessoas negras continua sendo um problema persistente e estrutural no Brasil. E, diante do crescente número de mortos pela polícia, é evidente a urgência de ações efetivas para mudar esse cenário.