
BRASIL – Banco do Brasil é alvo de estudo que aponta envolvimento no comércio de escravos, conforme documento do MPF.
Os pesquisadores aguardam uma resposta do banco, que terá 15 dias úteis para se manifestar sobre as acusações. No entanto, vale ressaltar que o BB já se posicionou sobre o caso, afirmando em comunicado oficial que “lamenta profundamente esse infeliz capítulo da história da humanidade e da nossa sociedade, com efeitos de um triste legado até os dias atuais”. A instituição também enfatizou que valoriza o trabalho de historiadores e mantém aberto ao público um arquivo histórico disponível para pesquisas.
Durante o século XIX, o Banco do Brasil foi refundado em 1853, após a Lei Feijó de 1831 ter proibido o tráfico de escravos, mas esta proibição não foi efetivamente cumprida. A pesquisa indica que grandes acionistas e diretores do banco estavam diretamente envolvidos na propriedade de escravos, como é o caso de José Bernardino de Sá, barão e visconde de Vila Nova do Minho, que foi um dos maiores traficantes do Atlântico Sul para o Brasil. Tais fatos levam os acadêmicos a concluir que “boa parte do capital que constituiu o maior banco do Império era oriundo do tráfico e dos negócios da escravidão”.
Além disso, a pesquisa destaca que o banco pode ter tido em seu quadro acionário abolicionistas de destaque no cenário nacional. Rodrigo Augusto da Silva, autor da Lei Áurea, e Affonso Pena, ex-presidente da República e do próprio banco, são citados como possíveis acionistas, o que “mostra-se relevante na busca da verdade”, segundo o comunicado oficial do BB.
O tema, mesmo relacionado ao século XIX, tem impacto no debate atual sobre o racismo e a necessidade de políticas de reparação à população negra no Brasil. O MPF já se reuniu com ativistas do movimento negro para buscar ideias de reparação a serem oferecidas pelo banco, cuja atuação no passado tem reflexos na sociedade atual. Assim, o banco se encontra diante de uma investigação que pretende revisar parte da história do Brasil e lidar com as consequências legadas por esse triste período da escravidão no país.









