BRASIL – Vaticano permite pessoas transgênero como padrinhos e testemunhas em cerimônias católicas, mas com restrições, diz documento doutrinário.

A Igreja Católica Romana está abrindo seu caminho para as pessoas transgênero participarem de diversos sacramentos, como o batismo e o casamento religioso. O Vaticano divulgou uma série de perguntas e respostas em resposta a questões sobre a participação de pessoas LGBT nos sacramentos, respondendo a perguntas feitas pelo bispo José Negri, de Santo Amaro, no Brasil.

O escritório doutrinário do Vaticano, conhecido como Dicastério para a Doutrina da Fé, afirmou que pessoas transgênero podem ser padrinhos em batismos católicos romanos e testemunhas em casamentos religiosos. Além disso, a resposta do Vaticano também afirmou que pessoas transgênero podem receber o batismo, desde que não haja “risco de causar escândalo público ou desorientação entre os fiéis”.

No entanto, o Vaticano foi vago ao responder se um casal do mesmo sexo poderia ter um batismo na Igreja para uma criança adotada ou obtida por meio de barriga de aluguel. A resposta afirmou que para que o filho de um casal do mesmo sexo seja batizado, é necessário que haja “uma esperança bem fundamentada de que seria educado na religião católica”.

O papa Francisco, que tem buscado tornar a Igreja mais acolhedora à comunidade LGBT sem alterar os ensinamentos da instituição, tem defendido que a atração pelo mesmo sexo não é pecaminosa, mas que os atos entre pessoas do mesmo sexo são. Ele se encontrou com pessoas transgênero em julho e afirmou que, mesmo sendo pecadores, Deus se aproxima para ajudá-los e que o Senhor os ama como são.

O padre James Martin, jesuíta e defensor dos direitos LGBT na Igreja, comentou que esse é um importante passo para a Igreja ver as pessoas transgênero não apenas como pessoas, mas como católicas. No entanto, a resposta do Vaticano reforçou que as pessoas transgênero e as pessoas em relacionamentos do mesmo sexo devem “levar uma vida de acordo com a fé” para participar dos sacramentos.

Essa posição do Vaticano demonstra uma tentativa de equilíbrio entre a aceitação da diversidade e a preservação dos ensinamentos tradicionais da Igreja Católica Romana. O papa Francisco tem buscado modernizar a imagem da Igreja sem abrir mão de seus princípios fundamentais, buscando construir uma comunidade mais inclusiva e acolhedora para todos os fiéis. Entretanto, ainda há nuances e limitações, indicando que a instituição religiosa ainda está em um processo de adaptação e reflexão em relação à comunidade LGBT.