
BRASIL – Líder tradicional angolano visita a Pequena África, região que simboliza a herança africana no Rio de Janeiro
A importância simbólica da visita se deve à localização da região, próxima ao Cais do Valongo, por onde estima-se que cerca de um milhão de africanos escravizados tenham chegado ao Brasil, muitos deles provenientes de Angola. Este marco simbólico torna a visita do rei angolano ao Brasil ainda mais significativa, já que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que 56% da população brasileira se considera negra.
Durante sua visita, Ekuikui VI expressou a importância de estar no Brasil para se reconectar com a comunidade africana que foi brutalmente retirada de seu país e levada para o Brasil como escravos. Ele também enfatizou que os negros escravizados não foram apenas filhos de escravos, mas também filhos de reis e rainhas da África.
O líder tradicional angolano destacou que a visita foi uma forma de cumprir o desejo de seus ancestrais, que sonhavam em visitar o Brasil e se reconectar com seus filhos que foram levados à força para o país. Além disso, ele ressaltou a importância do Brasil como uma nação criada em grande parte pelo trabalho dos africanos escravizados e seus descendentes.
A presença de Ekuikui VI também chamou a atenção para a resistência e herança cultural africana na cidade do Rio de Janeiro, uma referência em identidade e resistência da população negra. O babalaô Ivanir dos Santos, figura importante na comunidade afro-brasileira, destacou a significância da visita do rei como um marco de celebração e resistência para a população negra.
Além do Muhcab e do Cais do Valongo, a região também inclui o Cemitério dos Pretos Novos e a Pedra do Sal, locais que preservam a herança e a memória da ancestralidade africana. A visita de Ekuikui VI ao Rio de Janeiro é parte de um roteiro que também incluiu São Paulo e Santa Catarina, promovido pela empresa de comunicação DiversaCom em parceria com o centro de estudos UNIperiferias. A visita ainda engloba a região do Complexo de Favelas da Maré e o Quilombo do Camorim, ressaltando a importância da presença do líder tradicional africano no Brasil.









