
BRASIL – “Fungo infecta mais de 100 pacientes durante mutirão de cirurgias de catarata no Amapá, alertam órgãos de oftalmologia”
Em comunicado à população, o CBO e a associação ressaltaram que a realização de atendimentos em grande volume ou mutirões tem sido adotada por gestores de saúde como uma solução para lidar com a demanda represada. No entanto, destacam a necessidade de que esses atendimentos sejam priorizados em estabelecimentos com histórico de prestação de serviços oftalmológicos na região em questão, e não em unidades temporárias ou não médicas.
As entidades também recomendam que o modelo de mutirão só seja implementado por equipes e empresas de outros estados após a comprovação documentada da incapacidade ou falta de interesse das unidades oftalmológicas locais em atender à demanda sob as mesmas condições contratuais.
É fundamental que os procedimentos clínicos e cirúrgicos sejam realizados por médicos especialistas em oftalmologia, devidamente qualificados e registrados. Durante o procedimento, é essencial que a vigilância sanitária dos estados e municípios acompanhe rigorosamente as atividades, garantindo o cumprimento de todas as exigências técnicas e operacionais.
Após as cirurgias, a equipe responsável deve acompanhar os pacientes por até 30 dias, comunicando imediatamente à vigilância sanitária sobre eventuais eventos adversos e interrompendo o mutirão em caso de infecção, até que a causa seja apurada e as medidas necessárias sejam tomadas para evitar novas ocorrências.
Os casos de eventos adversos relacionados aos mutirões devem ser obrigatoriamente notificados por oftalmologistas nos seis meses seguintes à realização dos procedimentos. Essas medidas são essenciais para evitar a repetição de casos como o ocorrido recentemente no Amapá e em outros estados.
O fungo responsável pelas infecções registradas no mutirão de cirurgias de catarata no Amapá foi o Fusarium. De acordo com a Secretaria de Saúde do estado, o fungo causou um quadro de endoftalmite, uma infecção rara que atinge a parte interna do olho. Alguns pacientes relataram perda total da visão após o procedimento.
O mutirão faz parte do Programa Mais Visão, financiado por emenda parlamentar e executado por uma empresa contratada por meio de convênio entre o estado e o Centro de Promoção Humana Frei Daniel de Samarate (Capuchinhos). Iniciado em 2020 no Amapá, o programa já realizou mais de 100 mil atendimentos, com a maioria sendo cirurgias de catarata.
A Secretaria de Saúde informou que repassa recursos federais para a entidade responsável pelo programa, que, por sua vez, contrata uma empresa terceirizada para realizar os procedimentos. Após os primeiros relatos de infecção, os Capuchinhos suspenderam os atendimentos imediatamente e, no dia 6 de outubro, o programa foi suspenso completamente. O estado destaca que, apesar do incidente, o Programa Mais Visão teve casos de sucesso e recebeu inúmeros relatos de pacientes que recuperaram totalmente a visão.









