
BRASIL – Um terço dos municípios brasileiros enfrenta falta de recursos para manter estrutura da prefeitura e câmara municipal, revela estudo da Firjan.
Para classificar a situação das prefeituras, a Firjan utiliza quatro indicadores: autonomia, gasto com pessoal, liquidez e investimentos. Com base nesses indicadores, os municípios recebem uma nota que varia de zero a um. A média nacional em 2022 foi de 0,6250 ponto, alcançando a marca de boa gestão pela primeira vez desde 2013. Entre 2017 e 2022, o IFGF cresceu de 0,4075 para 0,6250.
Ao analisar apenas as capitais, o índice de 2022 chega a 0,7452, sendo Salvador a cidade com o melhor desempenho (0,9823 ponto). Outras cidades que se destacaram na categoria de gestão excelente foram Manaus, São Paulo, Vitória, Curitiba, Recife e Aracaju. Porém, a pior colocada foi Campo Grande, com 0,3906 ponto, estando no nível crítico.
No que diz respeito às contas públicas, o estudo revela que 41,9% dos municípios analisados estão com as contas em situação crítica (15,9%) ou difícil (26%). Por outro lado, 36,3% têm uma gestão considerada boa e 21,9% foram avaliados com excelente.
Ao analisar o indicador de autonomia, o estudo constatou que 30% das prefeituras dependem da transferência de recursos para funcionar, um aumento em relação à edição anterior do IFGF. Os municípios do Nordeste e Norte são os que mais enfrentam problemas de insuficiência de recursos, enquanto as regiões Sul e Sudeste apresentam uma situação mais favorável.
O pagamento de funcionários também foi analisado e metade das prefeituras alcançou o grau excelente nesse indicador. Porém, mais de 1.000 prefeituras gastaram mais de 54% da Receita Corrente Líquida (RCL) com a folha de salário do funcionalismo, ultrapassando o limite de alerta definido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Essas cidades estão concentradas principalmente nas regiões Nordeste e Norte.
Segundo a Firjan, as prefeituras enfrentam uma armadilha fiscal devido às despesas com pessoal, que são obrigatórias e não flexíveis. Além disso, decisões federais, como o aumento do salário mínimo, também têm impacto nas contas municipais. Outro fator que contribui para a situação crítica das prefeituras são os regimes próprios de aposentadorias e pensões, que acabam acumulando dívidas com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em relação aos investimentos públicos, as prefeituras utilizaram em média 8% do orçamento para esse fim em 2022. O Nordeste foi a única região onde a maioria dos municípios apresentou baixo nível de investimentos.
Diante desses números, a Firjan sugere algumas propostas para tornar as contas públicas municipais mais sustentáveis. Entre elas, estão a reavaliação do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), levando em consideração a capacidade das prefeituras de gerar receita local, e a responsabilização dos gestores que não cumprem os limites de gastos determinados pela LRF. A aprovação da reforma tributária também é defendida pela Firjan como uma medida que poderia contribuir para uma maior arrecadação dos municípios brasileiros.









