
BRASIL – “Rio Negro atinge nível mínimo histórico em Manaus, deixando comunidades vulneráveis em meio à estiagem prolongada”
Essa estiagem prolongada no Amazonas está deixando diversas comunidades vulneráveis. De acordo com um boletim do governo estadual divulgado no último domingo (22), 59 dos 62 municípios amazonenses estão em situação de emergência, afetando 158 mil famílias.
Coincidentemente, esse momento de intensificação da seca ocorre no mesmo período em que o fenômeno El Niño se intensifica. O El Niño é caracterizado pelo enfraquecimento dos ventos alísios e pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico. Essas mudanças na superfície oceânica e na atmosfera têm consequências climáticas em diferentes partes do planeta, afetando a dinâmica das massas de ar e a distribuição das chuvas.
Para o geógrafo Marcos Freitas, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), somente o El Niño não pode explicar a situação do Rio Negro. Segundo ele, há indícios de que a estiagem no Amazonas esteja relacionada ao aquecimento global do planeta. O pesquisador afirma que as chuvas na região do Rio Negro são provenientes do Oceano Atlântico, e não do Oceano Pacífico como é comum.
Marcos Freitas, que é coordenador executivo do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais e integra o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), destacou sua preocupação com o atual cenário de seca do Rio Negro. Em 2010, durante outra seca severa, o pesquisador coordenou um estudo sobre a situação. Na época, o rio registrou o menor nível de sua história até ser superado neste ano.
O aumento dos incêndios florestais também é uma preocupação decorrente do período de seca. Marcos Freitas explica que o clima mais seco favorece o desmatamento, que por sua vez estimula ainda mais o clima seco. Ele ressalta que, durante o verão amazônico, as chuvas diminuem e isso coincide com o aumento do desmatamento, tornando a região mais vulnerável às queimadas. Além disso, a remoção das árvores pelas queimadas reduz a evapotranspiração, diminuindo ainda mais as chuvas.
O pesquisador destaca a importância de reduzir a taxa de desmatamento para que haja um efeito positivo de adaptação, através da recuperação da umidade. Ele também ressalta a necessidade de medidas para apoiar as populações durante esses períodos difíceis, como o uso de energia renovável, a conservação de alimentos e outras medidas que permitam às comunidades enfrentar o isolamento e a escassez de recursos.









