
BRASIL – Brasil desperdiça 28 milhões de doses de vacinas, resultando em prejuízo de R$ 1,2 bilhão, aponta Tribunal de Contas da União.
Os dados revelam que as secretarias municipais de Saúde foram responsáveis por um total de 23.668.186 doses vencidas, gerando um prejuízo de R$ 1,1 bilhão. Já nas secretarias estaduais, foram 2.296.096 doses perdidas, totalizando R$ 59,2 milhões de prejuízo. Além disso, o almoxarifado do Ministério da Saúde, localizado em Guarulhos (SP), constatou 2.215.000 doses vencidas, o que resultou em perdas financeiras de R$ 55,6 milhões.
De acordo com o relatório do TCU, as causas para essas perdas não foram adequadamente identificadas pelo Ministério da Saúde, que apenas as atribui ao não atingimento da meta vacinal. No entanto, o relator do acórdão, ministro Vital do Rêgo, ressalta que essas perdas podem ter múltiplas causas, como falta ou atraso de registro de vacinação, não utilização correta das doses indicadas nos frascos, perda de validade das vacinas devido à exposição à temperaturas inadequadas e inconsistência de registro de vacinação.
Diante dessa situação alarmante, os ministros do TCU decidiram, por unanimidade, que o Ministério da Saúde deve apresentar, em um prazo de 15 dias, planilhas atualizadas com dados de vacinas contra a Covid-19 distribuídas ou a serem distribuídas aos estados, municípios e ao Distrito Federal, nos anos de 2022, 2023 e 2024. Além disso, a pasta tem um prazo de 30 dias para apresentar um plano de ação que identifique as medidas a serem adotadas para o monitoramento do processo de distribuição, vacinação e registro das vacinas.
Até o momento, o Ministério da Saúde não se manifestou sobre a decisão do TCU, o que deixa a população cada vez mais preocupada com a eficiência na distribuição e aplicação das vacinas contra a Covid-19.
O relatório também aponta os estados que tiveram as maiores perdas de vacinas vencidas nas secretarias municipais de Saúde. Minas Gerais lidera essa lista, com 407 municípios e 4.062.119 doses perdidas. Em seguida, vêm a Bahia, com 203 municípios e 3.462.098 doses perdidas, e o Maranhão, com 127 municípios e 2.797.767 doses perdidas. Quase 80% das perdas nos municípios são de vacinas da Comirnaty/Pfizer e da AstraZeneca/Fiocruz.
Nas secretarias estaduais, o Paraná teve a maior quantidade de doses perdidas, representando 78,6% do total. Em seguida, estão São Paulo (13%) e Rio de Janeiro (5,4%). A vacina da AstraZeneca/Fiocruz foi a que mais teve perdas nas secretarias estaduais, com um total de 2.248.865 doses.
Diante dessas informações, fica evidente a necessidade de um maior controle e planejamento por parte do Ministério da Saúde para evitar desperdícios tão significativos de vacinas. A população brasileira aguarda por respostas efetivas e medidas concretas para que a campanha de vacinação contra a Covid-19 seja conduzida com sucesso.









