
BRASIL – “Diplomata brasileiro Oswaldo Aranha é homenageado em praça de Jerusalém por sua atuação na divisão da Palestina”
Mas afinal, o que o diplomata brasileiro fez para merecer tamanho reconhecimento em solo israelense? A resposta está relacionada aos acontecimentos históricos que envolveram a Palestina e a recente imigração judaica na região. Em 1947, o Reino Unido se preparava para deixar a Palestina, região majoritariamente árabe que enfrentava tensões devido à crescente imigração judaica, amparada pelo governo britânico através da Declaração de Balfour em 1917.
A solução para a situação explosiva foi entregue à recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU). E foi nesse contexto que Oswaldo Aranha desempenhou um papel fundamental. Nascido em Alegrete, Rio Grande do Sul, em 1894, o diplomata brasileiro foi eleito presidente da primeira sessão especial da Assembleia Geral da ONU, que teve como objetivo estudar a questão da Palestina.
Sob a presidência de Aranha, foi concebida a solução da divisão da Palestina em dois estados, um para os judeus e outro para os árabes. Mesmo diante da orientação do Itamaraty para que o Brasil se abstivesse de votar, a delegação brasileira, liderada por Aranha, decidiu votar a favor da partilha. Aprovada pela ONU, essa solução não chegou a ser implantada devido à discordância dos países árabes.
Como consequência desse impasse, em 1948, quando os britânicos deixaram a Palestina, houve uma guerra entre Israel, o Estado judeu recém-nascido, e os países árabes vizinhos. O resultado foi a consolidação de Israel como o único Estado nascido da partilha, além da ampliação do território designado a ele pelas Nações Unidas. A Faixa de Gaza e a Cisjordânia, partes do território designado aos palestinos, acabaram ocupadas pelo Egito e Jordânia, respectivamente.
Desde então, a situação na região tem sido marcada por conflitos e disputas territoriais. Até 1967, Israel ocupou Gaza e a Cisjordânia durante uma nova guerra com países árabes. Em 2005, Israel retirou-se completamente de Gaza, mas manteve a ocupação militar na Cisjordânia.
Além de seu papel decisivo na questão israelense-palestina, Oswaldo Aranha teve sua trajetória marcada por outros momentos significativos. Ele iniciou sua vida política no movimento estudantil, fazendo oposição a figuras importantes da política gaúcha. Foi também uma das peças centrais da Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder. Aranha ocupou cargos como ministro da Justiça, ministro da Fazenda, embaixador em Washington e ministro das Relações Exteriores durante a Segunda Guerra Mundial.
No entanto, após o fim do governo de Vargas, Aranha afastou-se da vida política e dedicou-se à advocacia. Em 1947, ele foi nomeado chefe da delegação brasileira na ONU e deixou o cargo no mesmo ano, quando a questão da Palestina foi resolvida. Ainda retornaria à ONU como chefe da delegação brasileira em 1957. Oswaldo Aranha faleceu em janeiro de 1960.
Em resumo, a homenagem prestada a Oswaldo Aranha em Israel é um reconhecimento à sua atuação como presidente da primeira sessão especial da Assembleia Geral da ONU, que resultou na concepção da solução de divisão da Palestina. Apesar de não ter sido implantada na época, essa proposta foi um marco histórico e influenciou os rumos da região até os dias atuais.









