BRASIL – Liga dos Estados Árabes e União Africana alertam para risco de genocídio e pedem cessar-fogo imediato em Gaza

Em um comunicado conjunto divulgado pela Liga dos Estados Árabes e pela União Africana, foi alertado sobre o risco de ocorrer um genocídio contra o povo palestino. As duas organizações pediram um cessar-fogo imediato em Gaza e fizeram um apelo às Nações Unidas e à Comunidade Internacional para que tomem medidas firmes antes que seja tarde demais para evitar uma catástrofe diante dos nossos olhos.

O comunicado, assinado pelo Secretário-Geral da Liga dos Estados Árabes, Ahmed Aboul Gheit, e pelo presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki, foi publicado no último domingo. Ambos líderes se reuniram no Cairo, capital do Egito.

De acordo com o comunicado, uma operação terrestre israelense resultaria em um grande número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças, podendo levar a um genocídio sem precedentes. A Liga dos Estados Árabes e a União Africana apelaram à comunidade internacional para que aderissem aos princípios de humanidade e justiça para evitar um ataque prolongado aos palestinos.

A crise humanitária que se agrava na Faixa de Gaza, com escassez de água, eletricidade e um sistema de saúde à beira do colapso, torna urgente a criação de um corredor humanitário para fornecer ajuda à população e socorrer os feridos. O comunicado destacou que o castigo coletivo não pode ser aceito.

A Liga dos Estados Árabes, criada em 1945 e composta por 22 países árabes, como Arábia Saudita, Argélia, Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos, junto com a União Africana, que reúne os 55 países africanos, enfatizaram que a solução política baseada na visão de dois Estados é a única garantia de segurança e paz para todos da região.

Moussa Faki, presidente da União Africana, reiterou essa posição em uma rede social após os ataques do Hamas contra Israel. Em seu pronunciamento, ele expressou preocupação com o início das hostilidades e ressaltou que a negação dos direitos fundamentais do povo palestino, especialmente de um Estado independente e soberano, é a principal causa da tensão permanente entre israelenses e palestinos.

Nesta segunda-feira (16), durante a abertura do Conselho de Ministros Árabes da Justiça em Bagdá, no Iraque, o secretário-geral da Liga dos Estados Árabes, Aboul Gheit, voltou a comentar o assunto. Ele reforçou o argumento de que o ataque a Gaza visa punir o povo palestino coletivamente, até mesmo exterminá-lo, e que os 2,2 milhões de habitantes de Gaza, que estão sitiados há 17 anos, sendo quase metade deles crianças, são vulneráveis a uma política insana de vingança.

Gheit condenou o comportamento da comunidade internacional, afirmando que esse massacre não apenas continua sendo uma vergonha que assombra Israel, mas também uma maldição para a comunidade internacional e para a consciência global, que permanecem silenciosas em um momento em que o silêncio se torna um crime.