
BRASIL – “Realizada primeira audiência de instrução no processo do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes”
A participação de Maxwell nesse caso veio à tona por meio da delação premiada de Elcio Queiroz. O juiz Gustavo Kalil decretou a prisão preventiva de Maxwell com base nas provas apresentadas pelo Ministério Público, que apontaram sua ligação direta com os assassinatos. Atualmente, Maxwell está detido em um presídio federal em Brasília e acompanhou a audiência de forma remota.
Diretamente do presídio em Brasília, Elcio Queiroz prestou seu depoimento onde detalhou toda a dinâmica do assassinato e as medidas que foram tomadas para se livrar do carro usado no crime, um Cobalt, e de qualquer outro vestígio incriminador. Segundo Queiroz, Ronnie Lessa o convidou para dirigir o veículo no dia do crime, mas ele alega que não sabia que iriam cometer os assassinatos. Queiroz acha que foi convidado por Ronnie por falta de confiança em Maxwell para ser o motorista.
De acordo com o relato de Queiroz, ele e Ronnie entregaram seus celulares a Maxwell para evitar rastreamento e receberam o carro Cobalt dele. Em seguida, dirigiram-se à Lapa, onde aguardaram a saída de Marielle Franco de uma reunião na Casa das Pretas. O crime ocorreu no Estácio, quando os criminosos aproximaram-se do veículo de Marielle e Lessa realizou os disparos que atingiram Marielle e Anderson.
Fernanda Gonçalves Chaves, assessora de imprensa da ex-vereadora, estava no carro durante o ataque, mas não foi atingida pelos disparos. Segundo Queiroz, após o crime, eles abandonaram o veículo na casa da mãe de Ronnie Lessa e se encontraram com Maxwell em um bar na Barra da Tijuca.
Após o crime, os três começaram a elaborar um plano para se livrar do carro. Primeiramente, trocaram as placas do veículo, que foram picadas e jogadas na linha férrea em Quintino. Em seguida, entregaram o carro a um mecânico conhecido como Orelha, em Rocha Miranda, para que fosse desmanchado.
No depoimento, Queiroz revelou que, ao suspeitar que seria preso, pediu a Ronnie Lessa que mantivesse financeiramente sua família. Lessa prometeu que o sustento viria de Maxwell. No entanto, o ex-bombeiro cumpriu a promessa apenas no primeiro mês, pois o dinheiro foi diminuindo até ser interrompido completamente.
Durante a audiência de instrução, foram ouvidas também as testemunhas de acusação. A viúva de Marielle, Mônica Benício, afirmou desconhecer se a companheira recebeu ameaças por sua atuação política. Ágatha Reis, esposa de Anderson, declarou que seu marido trabalhava com a vereadora há apenas dois meses e nunca mencionou preocupações com sua segurança. A assessora de imprensa, Fernanda Gonçalves, relatou sobre o convívio diário com a parlamentar e afirmou que Marielle jamais mencionou ameaças ou demonstrou preocupação com sua segurança.
A audiência proporcionou uma visão mais detalhada dos acontecimentos e trouxe à tona novos elementos que contribuirão para o desenrolar do processo. O próximo passo será a continuação das investigações e a coleta de mais provas para esclarecer completamente o caso que chocou o país.









