
BRASIL – Mortalidade por câncer colorretal aumenta na América Latina, contrariando tendência global de queda, revela estudo da Fiocruz e Inca
A tendência de aumento na mortalidade por câncer colorretal é observada na maioria dos países da região, incluindo o Brasil. Esse crescimento vai na contramão da tendência global, que tem sido de queda na taxa de mortalidade por essa doença, influenciada pelos países de alta renda.
Além de analisar as tendências de mortalidade na América Latina, os pesquisadores relacionaram os dados ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos países. Foi observado que o aumento da mortalidade é heterogêneo na região, que é conhecida por sua desigualdade. A pesquisa confirmou que existe uma ligação entre as tendências de mortalidade por câncer colorretal e o desenvolvimento socioeconômico dos países latino-americanos, porém essa relação não é linear.
Os países com baixo IDH apresentaram menor mortalidade por câncer colorretal. Isso se deve, principalmente, ao subdiagnóstico da doença e ao menor acesso aos fatores de risco conhecidos, como o consumo de alimentos ultraprocessados e carne vermelha.
Já os países de desenvolvimento médio enfrentam dificuldades com o diagnóstico tardio e o tratamento em tempo hábil, o que reduz a sobrevida dos pacientes. Além disso, esses países estão mais expostos aos fatores de risco, como é o caso do Brasil. Por outro lado, os países de alto desenvolvimento apresentam diagnóstico precoce e a população tende a ter padrões alimentares mais saudáveis.
O estudo também destacou a disparidade entre os países da região. Alguns países, como Uruguai e Argentina, estão caminhando para uma redução na taxa de mortalidade por câncer colorretal, apesar do alto consumo de carne vermelha. Esses países conseguem diagnosticar a doença e iniciar o tratamento em tempo oportuno, evitando mortes. Por outro lado, países da América Central enfrentam um cenário diferente, com menos risco na alimentação, mas com subdiagnóstico e pouco acesso a tratamento.
O pesquisador Raphael Guimarães, do Departamento de Ciências Sociais da Ensp/Fiocruz, ressaltou a desigualdade gritante entre os países da América Latina. Ele destacou a importância do diagnóstico e tratamento oportunos para evitar mortes decorrentes do câncer colorretal.









